Periódicos UFSC

2009 Maio 28

Último dia 26 de maio aconteceu o evento do Portal de Periódicos da UFSC, em comemoração do primeiro ano da inauguração do portal, marcando também o processo de transição do portal do Departamento de Ciência da Informação para a Biblioteca Central da UFSC. Também foi divulgada as diretrizes do portal, criadas pelas professoras Úrsula Blattmann e Rosângela Schwarz.

Pela manhã houve uma palestra do Hélio Kuramoto, sobre E-Science e a infra-estrutura dirigida para a ciência. E-Science seria basicamente uma plataforma Web 2.0 de conhecimento, envolvendo TICs, colaboração, open data, open accesss e grid computing. A proposta de Kuramoto é a de um repositório institucional (RI), que exponha resultados científicos (revistas, teses e dissertações, livros inteiros e/ou capítulos) em acesso livre, mas que esses conteúdos também passem pela revisão de pares. Vez e outra aparecem discussões no LGTI acerca da definição do termo “repositórios”, “portal”, etc.

Na parte da tarde, a professora Rosângela Schwarz fez uma breve palestra sobre as questões operacionais para a viabilização do portal de Periódicos UFSC. Ao contrário de Kuramoto, a professora disse que a manutenção de um repositório, no caso específico da UFSC um portal de periódicos, não é rápida, nem fácil e existem sim custos (bolsistas, computadores, manutenção) . O objetivo dos Periódicos UFSC além, da visibilidade maior das revistas, está na preservação da memória, disseminação e recuperação da informação. O portal é mantido pelo Núcleo de Processamento de Dados, pela Biblioteca Central e pelo Departamento de Ciência da informação.

Fazendo um breve histórico, a criação do Portal de Periódicos desenvolveu-se desde maio de 2006, quando foi feita a discussão no I Simpósio de Comunicação Científica na UFSC. Em 2008, também em maio, o portal foi inaugurado e agora em maio de 2009, foi feito o lançamento das Diretrizes para o portal e criada a incubadora de periódicos. A professora Schwarz também destacou a importância de uma política de informação dentro da universidade.

E no final da tarde, a professora Suely de Brito Clemente Soares (Unesp) fez uma palestra sobre Web 2.0. Ela mostrou vários exemplos interessantes de ferramentas web 2.0, voltados para periódicos científicos. Falou também sobre visibilidade e redação acadêmica para Web 2.0, o que eu achei bastante curioso e novo. Também citou um autor, Declan Butler (2005), que falava sobre o conservadorismo dos cientistas que insistem em manter o hábito de comunicação apenas por seminários e/ou periódicos. A minha colega Alessandra Galdo também assistiu a palestra e colocou suas anotações e comentários em seu blog. Algumas perguntas que ela fez também são curiosidades minhas.. Selecionei algumas e as reposto aqui:

As ferramentas web 2.0 afetam esse PROCESSO (de comunicação científica) de que maneira?

Horizontalizam a comunicação no ambiente acadêmico fortemente hierárquico? Alavancariam a pesquisa interdisciplinar?

Como a área da Ciência da Informação está lidando com a realidade das ferramentas de comunicação interativa, que vêm desestabilizar uma série de conceitos e técnicas? Atenção: uma desestabilização pode preceder uma reorganização.

Como os pesquisadores (professores de pós-graduação) da Ciência da Informação estão utilizando as ferramentas web 2.0 (redes sociais, blogs, Twitter, Slideshare, folksonomias e outras)?

A professora Suely fez também uma diferenciação entre Web 1.0 e 2.0, onde na Web 1.0 as pessoas mantém o foco nas máquinas e no que elas nos proporcionam, apenas; e na Web 2.0 as pessoas usam as máquinas e tecnologias como MEIO para atingir outras pessoas. De acordo com a professora, é necessário que exista um UPGRADE da mentalidade 1.0 para a 2.0.

Pessoalmente falando, eu acredito que Web 2.0 não é uma questão de upgrade, mas sim de comportamento apenas. E é possível sim tanto integrar quanto também CONCILIAR essas duas formas de lidar com as novas tecnologias.

Será mesmo possível distinguir sempre comunicação formal de informal e criar critérios para cada uma delas?

E as máquinas e as tecnologias só nos servem como máquinas e tecnologia mesmo? Ou vão além disso? Se vão além, como isso acontece? E por que isso acontece? Quem faz isso acontecer?

E sim, talvez as TICs nos tragam mesmo níveis diferentes de divulgação/comunicação. Mas ainda não consigo enxergar como as novas tecnologias trariam o fim da hierarquia acadêmica. E aliás, por que isso deveria acontecer?

Talvez eu precise mesmo ler um pouco mais sobre o assunto. :-)

Uma resposta leave one →
  1. 2009 Junho 1

    Dora, obrigada por contribuir com o que não havia relatado no meu post sobre o tema. Só uma observação: Você pergunta:
    “como as novas tecnologias trariam o fim da hierarquia acadêmica?”
    Opa, isso é querer demais da tecnologia, acho que não existe essa pretensão. O que as TICs, especialmente as ferramentas 2.0 podem fazer (e vem fazendo) é horizontalizar a COMUNICAÇÃO! :-) Só isso e já é muito!

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