Reinventar a Biblioteconomia? Mas… Será?
Ontem estava lendo o meu Twitter quando o Felipe me indicou este post. Li o título e fiquei com preguiça de ler o restante. Pensei em não responder, num primeiro momento. Num segundo momento pensei em deixar pra outra hora. Depois resolvi responder com um comentário que achei melhor postar por aqui, pois ficou muito extenso. Ao responder este post não tenho a pretensão de fazer ninguém mudar de idéia em relação a nada. Acredito que o Jackson continuará achando a biblioteconomia completamente inútil e eu continuarei acreditando que ela pode ser útil.
Então aqui vou expôr algumas das minhas opiniões sobre alguns dos tópicos que ele desabafou sobre.
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Jackson,
Seu “pedido” é bastante breve e sucinto: “acabem com a biblioteconomia, pois não faz falta”. Não é de hoje que eu ouço isso de pessoas já graduadas em biblioteconomia. Desde sempre me senti de certa forma “mal vinda” na área. Antigamente eu me assustava, mas hoje tento compreender. Antes mesmo de eu entrar no curso eu já lia frases apocalípticas como “os cursos de biblioteconomia de todo o Brasil acabarão em 5 anos”, frase essa de pessoas próximas, em quem eu me espelhava de alguma forma para iniciar na área.
A bem da verdade desde o segundo ano de jornalismo, que foi a época que comecei a entrar em contato – muito superficialmente, admito – com a biblioteconomia é que fui, ano a ano, constantemente desestimulada a fazer o curso. “O curso não é bom, os professores são defasados, não tem perspectivas de emprego, bibliotecários em geral são pessoas medíocres” e todo o tipo de mimimi possível acerca da profissão. Pois bem.
A bem da verdade, mesmo, até o dia que me inscrevi no vestibular (pela segunda vez) eu realmente acreditava que fosse me inscrever ou pra filosofia, ou ainda pra letras/inglês. Mas eu não fiz isso por que não tive coragem de trair a mim mesma (de novo) e ao que eu realmente gostava de fazer, queria e tinha curiosidade de aprender. E ainda me falaram “não acredito que você vai ter a CORAGEM de fazer esse curso.. poxa, boa sorte”. E hoje eu digo pra qualquer pessoa que me pergunte: é preciso de coragem mesmo pra fazer esse curso. E mais coragem ainda pra concluí-lo como uma segunda graduação. No meu caso foi uma decisão consciente, não “caí de pára-quedas” no curso e tampouco o fiz por “um acaso do destino”.
Hoje posso dizer que o curso atende sim às minhas expectativas e que me sinto confortável com o que estou aprendendo.
Vários profissionais bibliotecários que encontrei e conversei antes de iniciar o curso ou eram 1. arrogantes (por se acharem auto-importantes demais) 2. apáticos (por não terem objetivos claros em suas vidas profissionais). O meio termo era difícil de encontrar. Ou eu encontrava alguém que dava importância demais a si mesmo e ao que fazia (esquecendo-se das pessoas e de todo o resto) ou pessoas apáticas, que apenas executavam seu ofício, sem fazer nenhum esforço a mais além da função que lhes era resignada. E, incrívelmente, todos os bibliotecários “meio termo” que encontrei – nem arrogantes, nem apáticos, mas sim que têm consciência do que fazem e se importam com as pessoas – fugiam não só do estereótipo que você resenhou em seu post, como também do tal do “estereótipo bibliotecário”.
Mas entendo, em partes, seu desabafo. E felizmente, no meu caso, nada referente à bibliotecas ou à biblioteconomia me deixou traumatizada na adolescência/infância. E olha que eu já fiquei de castigo em biblioteca quando era pequena! Mas diferente dos meus coleguinhas que ficavam entediados, eu me adaptava ao ambiente ao meu modo. E no final, o castigo não parecia mais castigo e sim, outra coisa. Algo que eu descobri que gostava. Agora você me pergunta por que isso acontecia? Não sei responder. Eu sou assim, faz parte da minha personalidade, acredito. Enfim: as pessoas são diferentes, tem vidas e propósitos completamente diferentes também. Acredito que não adianta nos revoltarmos com o modo que elas levam suas vidas profissionais: as escolhas são das pessoas e não são nossas.
Você ainda disse que “por um acaso do destino” foi cursar biblioteconomia. Fico aqui me perguntando o que leva uma pessoa a fazer um curso que detesta mesmo antes de iniciá-lo. Se programar em C era infinitamente mais divertido, por que então você Jackson – já tendo abandonado a biblioteconomia antes mesmo de começá-la - não se poupou desse martírio e não fez então Ciência da Computação? Fico imaginando a infelicidade de situação horrível que deve ter te obrigado a fazer biblioteconomia. Talvez você realmente fosse mais feliz em outra profissão, acredito. Também acho que é desnecessário o discurso de que as “técnicas” de biblioteconomia são obsoletas. Talvez até sejam, mas até agora isso não foi provado, ou seja, nada é garantido.. Nem mesmo as novas tecnologias. Por isso os conhecimentos híbridos e interdisciplinares são tão importantes. Não faça pouco caso das coisas que você aprendeu: algum dia você ainda vai precisar delas e elas vão poder te ajudar em muito.
Entendo que nenhum desabafo é muito polido, via de regra. No entanto é difícil aceitar um “desabafo” onde se assume (pra não dizer generaliza) que: 1. Todos os alunos de biblioteconomia são exatamente iguais e pensam exatamente da mesma forma; 2. Todos os bibliotecários recém-formados na verdade, não querem trabalhar e querem uma vida mole. Claro que entendi que você quis atacar apenas alguns profissionais da área, mas ainda assim, acho muito indelicado julgar toda uma classe apenas por seus maus exemplos. Se quer atacar alguém, ataque as pessoas em questão, mas não envolva todos os bibliotecários de modo geral.
Suas reclamações podem até ser verdades bastante doloridas (sei que são) de alguns casos, mas acho errado atacar toda uma classe que talvez não se adeque completamente à descrição de “a falta de vontade e criatividade” de alguns dos seus componentes. Seria muito mais honesto culpar e julgar AS PESSOAS que fazem a biblioteconomia por motivos escusos. Ou seja… Enfim.
Sobre o seu exemplo da oferta de emprego de arquiteto da informação: biblioteconomia é muito mais do que arquitetura da informação, pra início de conversa. Não existem muitos bibliotecários voltados pra essa área talvez não por ignorância ou falta de informação, mas simplesmente talvez por que NÃO QUEIRAM ou ainda NÃO SE IDENTIFIQUEM com essa área em específico. E o que há de tão errado nisso? O que há de tão errado em querer prestar concurso? Quem lhe garante que todo mundo que faz biblioteconomia deve querer justamente essa vaga? O que te faz assumir que todos deveriam querer isso?
Por que todas as pessoas tem que ter a necessidade de serem interdisciplinares / transdisciplinares? Por que?
Se elas são assim, ótimo. Se não são é por que não devem ser mesmo. Ninguém vai se forçar a entrar numa área de atuação no qual não tem um mínimo de aptidão.
São apenas coisas que fico me perguntando. E ainda bem que não tenho resposta pra nada disso.
O campo da biblioteconomia, com as novas tecnologias e ainda mais agora com a Internet tornou-se muito mais vasto. Hoje entendo a biblioteconomia de duas formas: pura (bibliotecas escolares, universitárias, bibliometria, etc.) e adaptada (voltada pra área das TICs, bibliotecas virtuais, web 2.0 e seus serviços). Muitas vezes essas duas modalidades entram em choque, mas ao invés de ficar tentando provar qual é a melhor eu prefiro entendê-las como não auto-excludentes. Pelo contrário, elas devem ser complementares. E isso também não acontecerá do dia pra noite. Por isso também acho bobagem quando dizem que a biblioteconomia precisa ser reinventada. Talvez não precise. Talvez a biblioteconomia esteja bem, como sempre esteve e quem precise se reinventar são AS PESSOAS que a fazem.
Nessa questão de inter-trans-disciplinaridade, acredito que a biblioteconomia tanto pode ser “reinventada” quanto pode continuar “como está”, por assim dizer. Algumas coisas não devem deixar de ser ensinadas. Falando de tecnologia, estamos no que eu acredito ser uma época de transição, numa época HÍBRIDA e não numa época “final” (se é que essa época vai chegar). Ainda usamos papel, ainda existem livros e ainda existem bibliotecas, então os bibliotecários são importantes sim e a biblioteconomia não vai acabar.
Veja bem: biblioteconomia, no início era um curso técnico. Sempre foi. Pessoalmente, entrei nesse curso justamente pra aprender as técnicas e aí sim ver como é possível aplicá-las em outros contextos. Mas só as aplicarei em outros contextos por que quero isso e gosto disso. Este é o meu perfil (pluridisciplinar) e é uma decisão pessoal.
Gosto de pensar que a questão dos currículos e professores defasados irá mudar tanto com a mobilização estudantil (isso quando existe alguma) e também com o tempo, pois professores acabam se aposentando, hora ou outra. Por isso acho simplesmente injusto culpar tanto as técnicas ainda adotadas quanto os colegas de profissão como um todo.
Criticar a tudo e a todos é muito simples, difícil mesmo é fazer parte do processo de mudança em escala mais ampla. Mudança esta que antes de qualquer coisa (tecnologias, etc) precisa ser de mentalidade. Tanto de baixo pra cima, quanto de cima pra baixo.
E eu sinto muito mas você não vai parar de ouvir o choro dos pseudo-profissionais. Eles não desaparecerão tão cedo e é preciso saber conviver e ser tolerante. Nem todas as pessoas pensam como você.
Os maus profissionais continuarão existindo, mas nem por isso a profissão tem que deixar de existir.
Não me assumi como jornalista por que nunca fui jornalista, nunca trabalhei na área e nem mesmo me interesso pelas causas da profissão. Mas nunca reneguei meu diploma e muito menos a bagagem que o jornalismo me ofereceu, muito pelo contrário. Cuspir no prato que comeu é uma posição muito cômoda, às vezes podendo até mesmo passar a impressão de arrogância, onde talvez ela não exista. Então tenha cuidado com as palavras em seus próximos desabafos. Tenha cuidado com as palavras e expressões que usar, pois talvez elas traduzam errado a mensagem que você quer passar.
E last but not least, concordei muitíssimo com o comentário do Tiago Murakami. De fato, seu desabafo é fraco demais pro tamanho do pedido. Acho que dentro deste singelo comentário dele cabe tudo o que eu escrevi aqui e mais um pouco.
É isso.

Oi Isadora.
Gostei do seu post. Concordo com você em grande parte dos pontos levantados.
Como a intenção do post/desabafo que fiz era polemizar e “ver no que dava”, o título foi escolhido meticulosamente. Nota-se de cara que é uma provocação para ver até onde se leva esse debate. Talvez as palavras durante o texto não tenham sido escolhidas da mesma forma.
Só fiquei pensando lendo seu post: qual o problema de alguém se apresentar como estudante em detrimento da profissão que é graduado? No meu caso, não atuo na área, não pago anuidade de CRB para tal e sou, na mais profunda realidade, apenas estudante.
Era óbvio que algumas bordoadas iriam ser desferidas, mas a intenção era poder debater um pouco isso. É até estranho, mas conversando com alguns estudantes e até profissionais já graduados, a grande maioria acha que muita coisa deve ser reformulada na Biblioteconomia. Mas o quê?
Foi Luis Milanese que disse (se não foi me perdoe, por favor) que o curso de Biblioteconomia deveria ter apenas 2 anos e assim as técnicas seriam ensinadas?
A Biblioteconomia precisa se adaptar à atualidade do mundo. Espero que se adapte, e se torne melhor. E quando falo Biblioteconomia, é questão de olhar também currículos, estudantes, professores e profissionais.
Repito: gostei do seu post e obrigado por fazer parte desse debate. Acho que é só assim que um dia, quem sabe, a Biblioteconomia será melhor.
Um abraço.
Olá Jackson,
Não tenho muita certeza de que sua provocação surtiu o efeito desejado uma vez que vozes raivosas não conversam, apenas sentem raiva, o que, ao meu ver, não leva à discussões muito produtivas..
Também não acho que há problema nenhum em você não se apresentar como bibliotecário. O título é seu e você faz o que quiser com ele, até escondê-lo, se assim achar melhor.
Estudantes e profissionais sempre vão achar que as coisas precisam ser reformuladas. E essas mudanças acontecem. A UFSC até 2005.1 tinha um currículo que foi modificado por reivindicações do movimento estudantil. Se algo precisa ser modificado, então antes de ser modificado precisa ser verbalizado.
A biblioteconomia não precisa mudar. São as pessoas que precisam se mover. Se as pessoas mudarem, as inovações a acontecerem na biblioteconomia serão pura consequência.
Baita post, Dora. Eu estava repensando a profissão ultimamente e essas tuas colocações me ajudaram um bocado. Obrigada ;)
(O @fernandop_ concorda contigo e comigo, mas é preguiçoso demais pra comentar sozinho).
Dora, PAGUEI PAU.
Tipo… sem palavras. MESMO. =D
Prezada Dora
Parei aqui atrás do artigo do Jackson mas ele não está mais disponível no site. Estou curiosa pra saber do que se trata.
Olá Teresa,
Acredito que o Jackson tenha tido seus motivos pra ter deletado todo o seu blog. Infelizmente não mantive o texto dele, pois realmente não imaginava que isso fosse acontecer. Abraços.
Bem, o comentário do amigo foi para causar polemica. E conseguiu! Eu achei bacana o comentário de certa forma por que nos faz refletir o que é a Biblioteconomia atualmente?
O fato é, mesmo os mais otimistas sabem, lá numa pulginha atrás da orelha que a Biblioteconomia anda sem forma e objetivo claro no campo profissional. Hoje vivemos de concursos (graças a deus) e trabalhos em bibliotecas ou como “pseudo-arquivista”. Alias, nunca entendi a divisão arquivista x biblioteconomia…ambos documentalistas..mas enfim…
O fato é que hoje perdemos mercado e acho que foi irreversível. Os cursos de Sistemas de informação praticamente empurraram a Biblioteconomia para o precipício, e nao foi mt o que fizeram, já estavam na beira no que concerne a planejamento estrategico de sistemas de informação.
Não estou aqui reforçando o coro -> Biblioteconomia não presta! Pelo contrário, quero desenvolver a minha area. Quero uma bib. forte e saúdavel, dando a forma por cima e acabando com velhos estigmas do profissional como fizeram os enfermeiros. É dificil pra Cara@#$% mas se todos se unirem, vamos conseguir. Mas se meus colegas ainda continuarem com medo de informática, achando que Bibliotecário não tem que saber programar, montar uma rede, planejar um sistema. Se meus colegas ainda acharem que biblioteconomia se resume a gerenciar uma unidade de informação, então vós digo com todas as palavras –> ESTAMOS FUDIDOS!
Mas atualmente, estamos muito focados em Biblioteca…e pouco em realmente em INFORMAÇÃO. Tanto se fala em biblioteconomista como “PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO” Mas sinceramente, eu não vejo assim. Eu vejo o Bibliotecário de hoje como um técnico perdido e lutando para arrumar um emprego no serviço público, por que ninguem mais o valoriza. E saliento que só temos concursos, por que a Lei de 62 obriga a nomearem um bibliotecário, senão…senão, meus irmãos…n quero nem pensar…e vou lhes dizer, o Supremo está querendo fazer algo a respeito disso.
O fato é que temos um conselho Federal rídiculo (Eu conheço a maioria que está lá) que tem feito merda atrás de merda, como a lei de 98 que tentaram aprovar e fomos humilhados…o que os conselheiros proporam foi algo absurdo…coisa de criança, como um dos artigos vetados, que o nosso conselheiro reivindicava que o bibliotecário era o verdadeiro profissional da informação….meu deus!
É triste!
Mas temos que lutar para mudar isso. A geração passada fez o que pode, agora é nossa vez de mudarmos isso.
Abraços.
Lean,
A polêmica existe quando sua causa permanece, o que não foi o caso por que o link para o manifesto do Jackson não está mais lá. Uma pena.
“a Biblioteconomia anda sem forma e objetivo claro no campo profissional” [...] “Alias, nunca entendi a divisão arquivista x biblioteconomia…ambos documentalistas..mas enfim…”
Se você não entende nem mesmo a diferença entre um bibliotecário e um arquivista, não é de se admirar que você acredite que a biblioteconomia anda “sem forma e objetivo claro no campo profissional”.
Mas explico rapidamente. Pelo menos até onde sei e aprendi, a biblioteconomia, a princípio, lida com a gestão de bibliotecas de forma mais ampla e específica. No caso dos arquivistas o grande foco é na gestão do documento em si, do “papel”, da sua validade e legitimidade, o que não é (ao menos não deve ser) questão da biblioteconomia.
As ferramentas e o próprio oficio de arquivista difere SIM do bibliotecário… Porém, quando trabalhamos com INFORMAÇÃO de modo geral (e não uma biblioteca ou arquivo, especificamente) as áreas tendem a se confundir bastante. E isso acontece por que tudo está mudando muito rapidamente com as novas tecnologias.
“Mas se meus colegas ainda continuarem com medo de informática, achando que Bibliotecário não tem que saber programar, montar uma rede, planejar um sistema. Se meus colegas ainda acharem que biblioteconomia se resume a gerenciar uma unidade de informação, então vós digo com todas as palavras –> ESTAMOS FUDIDOS!”
Discordo.
Pessoalmente eu gostaria muito de trabalhar em um ambiente pluridisciplinar, com programadores, arquitetos da informação, designers, etc. Mas daí a querer dizer que é papel primário e fundamental do BIBLIOTECÁRIO atuar em todas essas áreas, eu discordo muito. Acredito que sim, que PODE ser… Sim, é uma tendência do futuro, é uma possibilidade. Mas discordo da obrigatoriedade.
Acredito sim que seja desejável ter O MÍNIMO de afinidade com computadores e com determinados programas, mas não quero encarar como OFÍCIO ter de aprender a programar, por exemplo. Não tenho aptidão pra isso e nem por isso acredito que o meu futuro profissional esteja fadado ao fracasso. Me desculpe mas essa ciência É OUTRA, que não a biblioteconomia… É ciência da computação, etc.
“Mas atualmente, estamos muito focados em Biblioteca…e pouco em realmente em INFORMAÇÃO.”
Caraca… Tipo… O nome do curso é BIBLIOteconomia né? Lida com BIBLIOTECAS né? Vamos nos focar NO QUÊ então, caramba? Se eu quisesse outra coisa faria Sistemas de Informação, como você mesmo disse Leon, ou sei lá, Ciência da Computação ou ainda Gestão da Informação (UFPR). E não Biblioteconomia. Já escrevi um post sobre isso aqui no meu blog:
http://doraexlibris.wordpress.com/2008/08/09/eu-detesto-biblioteca/
Me desculpe, mas a graduação em Biblioteconomia necessariamente tem que se focar em biblioteca SIM!!! Se o aluno em questão tiver muito interesse na informação e seus fluxos, além de procurar literatura complementar, também pode considerar fazer uma pós-graduação/especialização na área q achar melhor. A graduação só nos dá uma base, mas ela não garante nada. Não devemos nos apoiar nela totalmente.
Cara, Dora.
“Se você não entende nem mesmo a diferença entre um bibliotecário e um arquivista, não é de se admirar que você acredite que a biblioteconomia anda “sem forma e objetivo claro no campo profissional”.”
A Biblioteconomia e a Arquivologia já tiveram um único segmento. Não é incomum questionar isso. E outra, se apenas EU achasse a Biblioteconomia sem forma e objetivo não haveria tantos profissionais insatisfeitos, teóricos batendo nisso e várias manifestações em encontros nacionais questionando isso. E ainda mudanças de nome do curso e mudança drástica da grade curricular, de uma biblioteconomia tecnicista para uma epistemologia da ciência da informação.
E outra, sua explicação da Biblioteconomia nos remete a decada de 40. Na minha opinião ultrapassada. E exatamente o oposto do que defende os teóricos mais respeitados na area da C.I.
“Pessoalmente eu gostaria muito de trabalhar em um ambiente pluridisciplinar, com programadores, arquitetos da informação, designers, etc. Mas daí a querer dizer que é papel primário e fundamental do BIBLIOTECÁRIO atuar em todas essas áreas, eu discordo muito. Acredito que sim, que PODE ser… Sim, é uma tendência do futuro, é uma possibilidade. Mas discordo da obrigatoriedade.
Acredito sim que seja desejável ter O MÍNIMO de afinidade com computadores e com determinados programas, mas não quero encarar como OFÍCIO ter de aprender a programar, por exemplo. Não tenho aptidão pra isso e nem por isso acredito que o meu futuro profissional esteja fadado ao fracasso. Me desculpe mas essa ciência É OUTRA, que não a biblioteconomia… É ciência da computação, etc. ”
Tudo bem. Respeito sua opinião.
Mas as literaturas indicam que o Bibliotecário (ou CyberLibrian, nas literaturas internacionais) discordam de você. Um Biblioteconomista tem que sim ter facilidade de programação e planejamento de Sistemas de Informação. Não há segredos em programação e desenvolvimento de sistemas. Um bibliotecário de Sistemas tem que sim saber desenvolver suas rede e automatizar seus serviços independente se simples e complexo com auxilio de outros profissionais, como em T.I fazemos. (Até em T.I fazemos inter-disciplinaridade)
No entanto, eu acredito que existam vários tipos de biblioteconomistas, os adm de bibliotecas, de sistemas, teóricos… Um administrador de Bibliotecas precisa se prender mais procedimentos e teorias de planejamento estrátegico (Ford, Fayol etc…).
Você me fala do Curso de Sistemas de Informação, um curso com 10 anos (ou menos) de existencia. E vem me dizer que a Biblioteconomia, um curso com lesgilação desde 62 não tem autoridade para atuar com informação automatizada de alto nível? (Programando, planejando sistemas, redes etc.)
Me desculpe, mas discordo da sua opinião.
“Caraca… Tipo… O nome do curso é BIBLIOteconomia né? Lida com BIBLIOTECAS né? Vamos nos focar NO QUÊ então, caramba? Se eu quisesse outra coisa faria Sistemas de Informação, como você mesmo disse Leon, ou sei lá, Ciência da Computação ou ainda Gestão da Informação (UFPR). E não Biblioteconomia. Já escrevi um post sobre isso aqui no meu blog:
http://doraexlibris.wordpress.com/2008/08/09/eu-detesto-biblioteca/
Me desculpe, mas a graduação em Biblioteconomia necessariamente tem que se focar em biblioteca SIM!!! Se o aluno em questão tiver muito interesse na informação e seus fluxos, além de procurar literatura complementar, também pode considerar fazer uma pós-graduação/especialização na área q achar melhor. A graduação só nos dá uma base, mas ela não garante nada. Não devemos nos apoiar nela totalmente.”
Respeito sua opinião. Mas eu a acho ultrapassada e com uma visão retrograda do curso. Segundo Cunha, as Bibliotecas convencionais irão diminuir e algumas irão até ser desnecessárias, sendo uma parte composta por arquivos digitais. E para fazer esse Gerenciamento Eletronico de Documentos, eu como Biblioteconomista e Analista de Sistemas, não vejo como um Bibliotecário pode entrar neste mercado sem saber Programação/Planejamento de Sistemas/Tipologia de Redes. Algo básico para até mesmo para pedir consultoria para um colega ou profissional especifico de um area de T.I (Ergonomia de sistemas por ex.).
Bem, no entanto achei muito boa essa polemica. Eu acho que precisamos sim questionar as bases da Biblioteconomia.
E vim aqui dar meu palpite. Parabens Dora pelo debate.
Prezada Dora,
sua sensibilidade em expor sua opinião me comoveu. Parabéns pela sensibilidade, li o texto do rapaz e me entristeceu ver que ele perdeu o tempo dele se expondo dessa forma, em vez de se dedicar ao que gosta.
Um abraço,
Quando me formei como Bibliotecario, fiquei muito feliz mais tarde nao era valorizado, e com o desenvolvimento do Mundo moderno ja so muito considerado
Acho que as pessoas podem dizer o que quiserem, na hora que quiserem. Podem desabafar, opinar, enfim…Mas sempre, sempre…: respeitar, ter ética, analisar todos os ângulos possíveis. Acho que o Jackson tem o direito de desabafar, e até conheço alguns casos de profissionais com o perfil muito parecido com o que ele colocou. Ás vezes, colegas isto me irrita e me chateia tanto, por exemplo armários com acervos fechados, a falta de vontade de atender o usuário, etc…que entendo e muiiiito bem o desabafo do Jackson. Apenas achei que a forma como ele fez suas colocações não foram adequadas, foi muito agressivo. E quando queremos provocar ou levantar uma discussão não há necessidade de que nossos argumentos sejam “raivosos”, nem podemos generalizar. Afinal, como tantos colegas aqui já colocaram, o problema é a postura profissional e não a profissão!!! Aqui onde trabalho, o profissional bibliotecário é muito valorizado. Também não acredito nesta “profecia apocalíptica de que: cuidado, a biblioteconomia vai acabar”. Tenho 15 anos no mercado, já atuei no setor privado e atualmente, no setor público, e já estive nos dois simultâneamente. Já ouvi e sempre ouço muitos elogios, de pessoas que orientei em trabalhos de conclusão, de médicos com quem tive a oportunidade de orientar e conduzir em pesquisas, de como nossa profissão é importante e de como se sentem seguros tendo um profissional bibliotecário para orientá-los, como ficam felizes!!!! Como temos conhecimento, como é que conseguimos conhercer áreas diferentes da nossa. E eu colocava para eles a respeito da preparação e do estudo e da pesquisa da área deles que eu fazia previamante. Atualmente, com os alunos menores eu continuo me dedicando, mostro a importância do conhecimento, dos livros, torno a biblioteca um “espaço vivo”, dinâmico, atualizado, com muito diálogo, onde as pessoas não precisam “pisar em ovos” para buscar o que precisam! A biblioteca é para mim, um espaço de vivências, de troca, de lazer, de pesquisa, de infinitas possibilidades!
Eu aaaammmo o que eu faço, quando fiz vestibular eu não fiquei na primeira opção, fiquei na segunda opção que foi FELIZMENTE, a biblioteconomia! Acho que muitos profissionais precisavam sim, reciclar a mente, a atitude e postura, mas isto é de cada um e infelizmente, não temos o poder de alcance de determinar a atitude dos outros! Acredito que a mudança começa e se processar dentro de nós mesmos. Mas acredito, por experiência própria que podemos “contaminar” os outros com atitude positivas!!!
Dora, parabéns pelo teu post, que me encorajou a colocar a minha opinião, tu me “contaminaste positivamente”!
Jackson, faltou um pouco de “jogo de cintura”, apenas na escolha das palavras, as tuas opiniões também foram importantes para mim, e concordo contigo em muitos pontos, mas cuidado para não generalizar nunca, e devemos sempre, sempre cuidar o que falamos, por questões da ética, pois estamos falando de uma profissão, de profissionais, imagina se algum ofendido resolver tomar outras medidas. A crítica sempre a válida, mas críticas construtivas.
Um grande abraço à todos!
Lean,
A diferença entre arquivo e biblioteconomia foi uma dos primeiros questionamentos que tive assim que entrei no curso. Fiz uma pesquisa bem breve e achei um texto excelente da Johanna Smit chamado “Arquivologia/Biblioteconomia: interfaces das ciências da informação”. Então pra mim, mesmo que as áreas sejam do mesmo segmento e trabalhem com informação, ainda as considero bem distintas.
Concordo que de acordo com as novas tecnologias a forma que a biblioteconomia é ensinada e principalmente trabalhada deva mudar. Mas nada vai acontecer de uma hora pra outra. Gosto de pensar que as mudanças ocorrerão no seu devido tempo e se ainda não ocorreram é por que talvez não exista uma pró-atividade suficiente nesse sentido.
Se você me considera antiquada nas minhas explicações, eu também poderia dizer (generalizando) que todos os tecnocratas são deslumbrados, que não levam em consideração que duas vias podem coexistir. Como falei, não estamos numa etapa final, mas sim numa época de transição e muitos questionamentos.
Ser um Cyber-Librarian, pra mim, ainda é opcional e não obrigatório. No dia em que todas as bibliotecas pararem de existir, acho que seria possível uma conversação sobre obrigatoriedade de programação e sistemas de informação num novo currículo, novo nome, novo curso. Enquanto isso não acontece, aprendemos não só as “velhas técnicas” como também técnicas novas, sobre redes e automatização de serviços. Uma não necessariamente exclui a outra.
Em nenhum momento disse que a biblioteconomia não tem autoridade pra atuar com informação automatizada. Tem sim, mas (ainda) é opcional, ou seja, vai de acordo com a carreira que a pessoa, o estudante, o futuro profissional quer realmente se aplicar e seguir em sua vida.
“Respeito sua opinião. Mas eu a acho ultrapassada e com uma visão retrograda do curso. Segundo Cunha, as Bibliotecas convencionais irão diminuir e algumas irão até ser desnecessárias, sendo uma parte composta por arquivos digitais.”
Bibliotecas não são arquivos, mas enfim… O fato é que bibliotecas físicas, querendo a gente ou não, ainda existem. E ainda existirão por algum tempo, até que se tornem inteiramente digitais. Talvez Cunha tenha razão mesmo. Talvez todas as bibliotecas físicas um dia acabem e se transformem mesmo em grandes Lan Houses (de preferência com boas impressoras), o que eu acho que seria mesmo muito bacana.
Mas enquanto essa revolução toda não acontece em absolutamente todos os setores da informação, vamos seguindo…
Para quem se importa, o mesmo debate também está ocorrendo aqui:
http://embuscadabibliotecaperdida.ning.com/forum/topics/a-borboleta-epistemologica
Recomendo.