“O que você está fazendo?” – Apresentação de TCC sobre Twitter, por Felipe Speck
Não é novidade pra ninguém que eu sou uma twithollic. Mas ontem de tarde, algumas horas antes de eu ter uma reunião com a minha orientadora, recebi pelo Twitter (rá!) uma mensagem do colega @agenteinforma, dizendo que às 15h30, no CCE, haveria uma defesa de TCC do curso de jornalismo, sobre o Twitter. Como boa enxerida que sou, antes de ir lá fucei no Twitter do @filipespeck (que criou o TCC) e também vi que a palestra seria transmitida, ao vivo por @maffesoli, quem eu não fazia a mínima idéia de quem era. Ok, sabia que era um fake, mas nada além disso. Pois bem.
Quando li a palavra “transmitida”, na minha cabeça eu imaginei imediatamente que a defesa seria transmitida por vídeo, ao vivo. Mas também não fiquei pensando muito nisso, pois quando vi já eram 15h20 e eu tinha que ir pra lá, pois chegar atrasada em defesas é chato. Bem, 15h30 entram no site do twitter do @maffesoli fake e aí sim a defesa/transmissão começa. Achei muito bacana. Enquanto Filipe falava sobre o sua apresentação, uma colega twittava, em tempo real, alguns de seus “ganchos”, ou seja, frases mais pertinentes sobre o trabalho. Essa era a “transmissão”, ou seja, o meio É a mensagem. :)
Filipe então explorou o tema de seu trabalho, fazendo uma breve descrição da ferramenta de microblogagem para depois analisar o Twitter de forma teórica. Usou então Michel Maffesoli como principal autor para justificar sua pesquisa e compreendeu que “tempo e espaço são de certa forma subvertidos pelo cyber-espaço”. Também explicou algo que achei muito interessante: a diferença entre sociabilidade e socialidade, onde sociabilidade seria uma mera convenção social (algo próximo de “etiqueta”) e socialidade seria o verdadeiro “estar junto”, tendo como efeito-fenômeno juntar mesmo as pessoas. Pelo menos assim eu entendi.
O Twitter também foi estudado por que Filipe percebeu que ele não é algo nem bom, nem ruim, mas é um fenômeno e até então uma tendência na comunicação virtual entre as pessoas, que serve pra transformar a sua socialidade. Também foram explicados os conceitos de presenteísmo, tribalismo e nomadismo, estudados por Maffesoli. Por um momento isso me lembrou das etapas de evolução cultural do Marshall McLuhan, que vi na disciplina de Teoria da Comunicação quando fiz jornalismo. Os conceitos de tribalização, destribalização e retribalização talvez também se apliquem só que de uma forma mais ampla. De fato: mesmo distantes fisicamente as pessoas estão cada vez mais mobilizando-se em função das novas tecnologias.
O caso do Obama e a forma que se deu a sua eleição por meio das mídias sociais foi o que motivou Speck a mudar o tema do TCC e tentar compreender o Twitter de uma perspectiva sócio-antropologica. Finalizada a apresentação, pude ouvir um pouco das palavras da professora Raquel Longhi. Um dos primeiros apontamentos dela foi sobre o questionamento do tema do TCC, onde muitos se perguntariam, “mas isso é jornalismo?”. No entanto a função jornalística não foi colocada em cheque uma vez que a interdisciplinaridade faz com que o tema possa ser estudado da mesma forma, mas com um enfoque diferente.
A professora também se extendeu falando um pouco sobre o fenômeno das relações sociais online, que os meios de comunicação são inseparáveis atualmente das formas de comunicação e também da cyber-sociedade, citando muito Pierre Lévy e citando também um livro que anotei para ler depois: “The Virtual Community”, de Howard Rheingold. Foi possível perceber também, dentro das contribuições da professora Raquel, outros tópicos que servem pra trabalhos futuros sobre o Twitter, além das relações sociais. Tópicos como: as efemeridades das relações, noção de sociedade versus práticas sociais online, como se estabelecem os vínculos de comunidades virtuais e como a “idéia comum” permanece e “vinga” numa sociedade virtual. Enfim… Temas de estudo pra uma vida toda. :)
Uma frase da professora Raquel que achei muito interessante foi a seguinte: “não se tem como pensar a sociedade atual e seus relacionamentos, sem se fazer o estudo das mídias sociais”. Concordei muito. Ela também fez uma breve auto-crítica dizendo que, no mundo virtual, ela “compartilha muito e cria pouco”. Acho que, hoje, não há nada de mal nem errado nisso.. Desde que se cite a fonte e não se aproveite do trabalho alheio. O que acontece é que nessa nova forma de comunicação, acredito que quando falamos de mídias sociais, podemos ver as coisas pelo lado bom e pelo lado ruim, mas nem sempre pode-se ter certeza de tudo, apenas no fenômeno que está ocorrendo. Tanto pode-se usar o Twitter pra banalização plena (“Acabei de me engasgar com um pedaço de pão”) ou pra mobilização (Eleição do Obama, Irã, Sarney, etc).
Infelizmente não pude ficar para ouvir os comentários do professor Jorge Ijuim e da orientadora do TCC, Aglair Bernardo, pois tive que voltar a tempo ao LGTI pra orientação com a Rosangela. Mas acompanhei “de leve” o restante dos comentários através do twitter do Maffesoli. Hoje pela manhã vi que o @agenteinforma mandou um link para baixar o pdf do TCC no Scribd. Logo em seguida também convidei o @filipespeck a considerar a publicar seu trabalho no RABCI, pois achei que o tema tinha a ver com a proposta do site.
Enfim…
Twitter é um tema que ainda vai per-seguir (rá!) muita gente, por muito tempo acredito. Acredito que mais trabalhos surgirão e ainda haverá muita discussão sobre o tema. Hoje mesmo no início da tarde vi no blog do Alexandre Berbe uma palestra do Evan Willians (co-fundador do Twitter) no TED Talks sobre o Twitter. Pelo tom da palestra do Willians, Twitter é uma mídia social que está recém começando…

O Twitter representa, entre outras coisas, uma tendência sem retorno em relação à comunicação na internet.