Por que escolhi biblioteconomia?

Estes dias, depois de ter me deparado com este post pelo Greader, pensei nos motivos de eu ter escolhido biblioteconomia. Foi uma escolha difícil e lenta mesmo por que foi pensada por tempo demais (abençoados são os que fazem escolhas sem precisar pensar demais!). Já disse isso aqui e repito: fiz biblioteconomia por teimosia, mesmo. E sempre quis desenvolver um texto sobre isso então acho que agora é a oportunidade.

Lembro-me que, nos anos anteriores da minha opção pela biblioteconomia, fui constantemente desestimulada por vários colegas da área. Me diziam (e ainda dizem) o que já venho ouvindo há praticamente uns 8 anos: que o curso era ruim, ultrapassado, que a área ia deixar de existir em 5 anos, que a ‘raça’ dos bibliotecários era chata, que não havia futuro, que ganhava-se pouco, que não havia reconhecimento e várias outras coisas desmotivadoras - tudo isso independente onde eu pensasse em fazer o curso, seja na melhor ou pior universidade. O discurso ainda não mudou muito, acredito. Quando fui prestar vestibular novamente em 2007 não tive coragem de marcar “Letras/Inglês” ou “Filosofia” por que sentiria que estaria me traindo profundamente se fizesse isso. Acho que esse é o “chamado que não conseguimos ignorar” do qual Ortega Y Gasset fala no livro Missão do Bibliotecário, o que também pode ser chamado de ‘vocação’. O curso é precário e tem mil defeitos? Ok. Challenge Accepted.

Eu já tinha cursado jornalismo e então muita gente também me dizia “mas por que você não vai direto pro mestrado?” e hoje eu percebo que isso teria sido a maior estupidez de toda a minha vida (e isso é bastante coisa, acreditem: sou uma screwup por natureza). Terminei o curso de jornalismo completamente verde e despreparada, sem muita noção de nada na verdade..  E desde antes da época do jornalismo eu já pensava em fazer biblioteconomia. Por que? Bem, me parecia uma profissão pacata, onde eu não precisava entrar em contato com muita gente e ficaria enfurnada em algum lugar com um computador catalogando livros eternamente, rs. Ah, doce engano… Lembrando disso hoje percebo o quanto mudei nesse sentido. Claro que tem gente que curte isso ainda, mas não é mais o meu caso.

Que o intelectualismo não está mais atrelado a profissão de bibliotecário não é de hoje, apesar de muita gente dizer que entra no curso por que “gosta muito de ler” (o que acho fofo!). Muita gente enxerga o curso e o ofício da biblioteconomia, apenas como uma oportunidade de carreira mesmo e trata o que vai exercer como profissão com uma impessoalidade impressionante. Bem.. As pessoas são diferentes, mesmo. Lembro que no início do curso me foi passado um artigo do prof. Francisco (1998), com uma pesquisa que eu acho que precisaria ser refeita e reavaliada em todos os cursos de biblioteconomia. Nesta pesquisa, o professor fez um perfil do ingressante e do formando onde podemos perceber que as motivações para se concluir ou se desistir do curso são as mais variadas possíveis. Isso de one size fits all é ilusão.

A expressão ‘desempenhar função’ me inquieta um pouco, mas isso é pessoal mesmo, admito. Entendo que hoje ninguém é insubstituível, não importando se é ou não um excelente profissional. Mas acho que é uma questão muito pessoal mesmo sentir-se apenas uma pecinha sem importância no meio de uma grande engrenagem, ao invés de sentir-se realmente parte de uma comunidade ou de algo. Acho que talvez esse seja o tal do dilema do “copo meio cheio ou meio vazio”.

Acho que até concordo com a frase “não é necessário gostar do que se faz pra desempenhar uma função”, pois de fato, não é necessário mesmo, absolutamente. São várias as pessoas no mundo – tantas que nem conseguimos imaginar – que vão todos os dias pra um emprego que detestam pra apenas sobreviver por mais um dia, pois aprendemos (nos resignamos?) que é assim que devemos sobreviver a uma vida desprovida de significado (eu disse significado – sendo que somos nós que fornecemos isso a ela – e não sentido, o que é bem diferente).

Desempenhar uma função – independente de qual ela for – pode ser bom, assim como também tem gente que acha que “salvar o mundo” e/ou “lutar e conquistar algo” pode ser bom. Entre o cinismo total e irrestrito e o idealismo meio lunático, prefiro os idealistas por que pelo menos eles me parecem mais abertos à conversação, apesar de serem meio malucos. Para mim, “desempenhar uma função” não é o suficiente por que considero que há baixa interação de modo geral e que também fica mais difícil  (não impossível, só mais difícil) provocar alguma mudança quando as pessoas estão muito ensimesmadas, muito especializadas. Mas enfim, esta sou eu.

Não acho que eu seja ‘a pessoa que mais contribua’ ou que eu seja ‘uma peça importante desempenhando minha função’ nem nada e nem sou melhor do que ninguém: apenas gosto, muito, do que faço e algumas pessoas tendem a considerar isso como um diferencial.  Outras me dizem que isso é ‘sorte’. Pra mim, é só natural mesmo.

Acho que as mesmas críticas que eu ouço há 8 anos são necessárias, simplesmente por que são todas verdade (depois de ter entrado no curso, apenas constatei isso). Dizer que o curso é ruim, que os professores parecem acomodados ou desmotivados, apontar as dificuldades (que sabemos que ‘não irão mudar’), é necessário. Entendemos que existem picaretagens aos montes, mas isso não se limita ao nosso curso, mas a todo um “sistema formal de ensino-aprendizagem” que praticamente nos condena a isso. O buraco é bem mais embaixo do que imaginanos e o bicho é bem mais feio do que pintam. São vários os ‘vetores invisíveis’ que nos pressionam a agir não da forma que queremos, mas da forma que nos fazem acreditar que “precisamos” ou que nos fazem conformar.

O que conta quando você vai prestar vestibular, não é o que você quer ou gosta de fazer, nem sua vocação, mas o quanto você consegue pontuar e memorizar, ou como alguns preferem chamar, sua “inteligência”.  Sinceramente, não acredito no discurso de “suei muito pra estar aqui” por que ele me parece um engodo: algo que gostamos muito de acreditar, mas que nem é verdade. Acho que isso, na realidade, me soa mais como um “já me esforcei o suficiente  antes pra poder ser medíocre o quanto eu quiser agora e pro resto da minha vida”. A nossa vida se resume a uma eterna “luta” por espaço e depois disso, uma eterna acomodação. Seria isso mesmo desejável? Por que? Acho que é algo a se pensar.

Realmente, não tive nenhum professor “instigante” no curso de biblioteconomia. Tive professores muito bons e outros não tão bons assim, tive disciplinas que poderiam ter sido abordadas de forma melhor e mais aprofundada, mas que não me desanimaram. Nem esperava por isso na verdade.. Entrei no curso com uma baixa expectativa. Na verdade, entrei no curso pensando que não aguentaria chegar até o fim. Mas depois acabei ficando muito preocupada comigo mesma tentando descobrir o que eu gostava de verdade pra, a partir disso, entender meu caminho ali dentro e  hoje, mesmo estando na “reta final” confesso que ainda está bastante difícil.

Acho engraçado como alunos de biblio tendem a achar outros cursos muuuito melhores, como sei lá, Jornalismo, ou qualquer coisa de Letras (a grama do vizinho é sempre mais verde, etc). Talvez por que nessas aulas os alunos sejam mais expostos a dados (atualidades, filosofia, história, literatura, humanidades etc. e tal) do que a metadados, que é a parte que todos consideram a mais escrota da biblioteconomia e que curiosamente para mim, é a parte mais fantástica de todas – afinal, alguém tem que achar isso legal né? O que eu acho mais interessante quando observo hoje meus colegas de classe é perceber o quanto eles estão transformados, e como e o quanto aprenderam a gostar do curso, mesmo com todas as dificuldades. Acredito mesmo que serão todos bons profissionais, independente do tipo de carreira que resolverem seguir.

Entendo que é difícil mesmo fazer a pergunta do post quando estamos a ponto de nos inscrever num vestibular, mesmo por que quando somos obrigados a ir pro ensino superior ainda estamos bem perdidos na nossa vida pra tomar uma decisão dessa magnitude. Mas é sempre interessante lembrar que ninguém se forma sozinho e que, também, a universidade não forma ninguém: quem se forma é a própria pessoa. Pessoalmente acho que hoje, mais do que nunca, o “ensino superior” deve servir como apoio teórico e não como base de / para nada. Mas essa mentalidade é compreensível uma vez que saímos de um ensino médio ultra-acomodados, e agora imaginamos que boa parte do sucesso da nossa formação é uma obrigação alheia e não algo que deveria ser uma busca por satisfação pessoal… O que eu acho… Estranho.

Não entrei na biblioteconomia pra ser entretida, nem “seduzida” (credo!) e muito menos “educada”. Universidade, pra mim, não é um centro de adestramento. Ouço a reclamação de que “a universidade não nos prepara mais pro mercado”,  então quer dizer que viramos todos produtos agora, é isso? Uma caixa de tomatinhos todos iguais? Acho curioso. Confesso sim que entrei no curso para entender como funcionam as técnicas. Mas o resto assumo como sendo de minha conta e responsabilidade: buscarei de várias outras formas e ninguém pode me ajudar com isso (e, paradoxalmente, muita gente pode me ajudar com isso: inclusive de outros cursos). Entendo que a vida – de modo geral – não é nada estimulante. Mesmo. Que dirá de um curso como esse, de ciências sociais aplicadas, das humanidades, onde pra encontrar o que é “humano” precisamos olhar mais de uma vez, com muito cuidado e atenção.

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Sobre Dora

Sonhadora. Curiosa. Bibliotecária.
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25 respostas para Por que escolhi biblioteconomia?

  1. Olá!
    Achei muito interessante essa parte do teu artigo:
    “metadados, que é a parte que todos consideram a mais escrota da biblioteconomia e que curiosamente para mim, é a parte mais fantástica de todas – afinal, alguém tem que achar isso legal né? ”
    É um pouco irônico, considerando que é exatamente nessa área – classificação e representação do conhecimento – que estão os grandes desafios para os bibliotecários, não só no campo da pesquisa, mas também no mercado.
    Sou formada em biblioteconomia e arquiteta de informação, e gostaria muito de ver mais colegas de formação me acompanhando como colegas de profissão. O que será que está faltando?

    • Dora disse:

      Oi Anna,

      Também percebo que é difícil notar um interesse maior nessa área em específico. Talvez isso apareça mais com o tempo, não sei. Também não sei se necessariamente ‘falta’ algo, pois as pessoas podem ter interesses em tipos de assuntos/estudos diferentes apenas.. :)

  2. Gustavo disse:

    Já se formou? Se não, ainda dá tempo pra desistir.

    • Dora disse:

      Gustavo,

      É o que eu tenho falado, repetidamente, pra todo mundo que está descontente com tudo. Mas parece que isso não resolve muito. Somos brasileiros e não desistimos nunca. ;)

  3. Maristela disse:

    Pois bem. Entrei na Biblioteconomia por um motivo idiota e um motivo prático. O idiota é o tal “gostar de ler”; o prático, a necessidade de uma nota de corte baixa. Não vou entrar no mérito de nenhuma das duas questões.

    Desde o primeiro ano venho procurando o lado humano do curso e buscando satisfação pessoal, mas não tive sorte com professores e tampouco nos estágios. Provavelmente não li os livros certos também. Sobrava, então, a área técnica (credo!), que aqui se mostrou desinteressante e nem ao menos nos foi passada de forma eficaz. Questão de gosto, mas questões de gosto influenciam muito o meu desempenho acadêmico, infelizmente. Quando percebi a situação, tentei me autoestimular e aquela história toda, mas cansa depois de um tempo.

    Sorte sua ter encontrado sua vocação. Eu não encontrei. Não aprendi a gostar do curso, e adoraria não ter de simplesmente desempenhar uma função, mas até que eu descubra o que realmente quero fazer da minha vida, é assim que terá de ser. Sem paixão nenhuma, mesmo.

    É muito fácil olhar de cima – da posição de alguém que já se encontrou – e dizer que é a própria pessoa que faz o curso, ou o tão popular “então desista do curso” e o blá blá blá costumeiro. Há outros fatores envolvidos. Eu realmente suei demais para chegar aqui – ou vai ver foi impressão minha! – e não posso me dar ao luxo de jogar tudo pro alto. Já que estou aqui e aguentei até aqui, quero meu diploma. Depois é que vou pensar nas alternativas.

    Mas às vezes, sonhando um pouco, gosto de pensar que aulas melhores poderiam ter ajudado. Entrei na faculdade para me formar, assim como vc, mas dado um contexto muito particular do qual vc não compartilha e por tal motivo dificilmente poderia falar com propriedade, gostaria, sim, de ter sido um pouco seduzida, instigada – ou qualquer outro termo que vc prefira colocar entre aspas – pelos meus professores. Claro que minha formação não deveria depender disso, e, na verdade, não depende. Só estava comentando um aspecto notório do meu curso que foi e ainda é apontado por alguns alunos como uma deficiência gravíssima. A minha parte estou fazendo. Da única forma que consigo fazer. Aprendi a me ater ao que funciona pra mim. Se não é o ideal, paciência.

    • Dora disse:

      Sinceramente eu nem achava que fosse passar no vestibular quando tentei o curso em 2008. Talvez por isso eu não dê tanto valor assim, pois acho que só foi sorte mesmo.

      Claro que aulas melhores sempre ajudam. É refrescante ter aula com professores que falam nossa língua e nos mostram coisas novas, que não conhecemos (o que é uma raridade na academia, enfim). Mas o que temos são professores com 30 anos de carreira que lutam pra ainda se inteirarem sobre o que está acontecendo hoje, na maior parte das vezes. Essa ‘deficiência gravíssima’ não é exclusividade daí e tb aposto que desgostar do curso ajuda bastante a piorar a situação.

      Não diria que tenho vocação, mas que de fato me senti desafiada por tudo o que conheci sobre biblio, desde o início. Tb não acredito que ninguém “nasceu pra x coisa” pq acho isso idiota, rs. Mas na prática as coisas são bem mais difíceis e subjetivas. Não acho que estou olhando ninguém ‘de cima’ por que mesmo estando no fim do curso, não tenho perspectiva nenhuma do que pode ou não acontecer.. Tenho um plano agora, mas posso mudá-lo se me decepcionar ou ‘ver que não era nada daquilo’ e ter que começar do zero de novo.. A vida é bagunçada assim mesmo.

      Também, se me permite, aconselho a não desistir do curso mesmo, por mais que várias experiências sejam/estejam sendo ruins.. Com o tempo as coisas vão se organizando e não acredito que seja isso exclusivamente que te fará ser uma má profissional.

  4. Maristela disse:

    Eu não estou tentando me eximir da responsabilidade. Sei que grande parte da culpa é minha, mas, sinceramente, acho que para fazer uma leitura crítica realmente abalizada do meu post é necessário conhecer os meus professores. Já tentei muuuuito gostar do curso, me sentir “desafiada” etc etc, mas acabei frustrada em todas as tentativas pelos docentes ilustres da USP que passam 1 hora falando dos filhos nas aulas. A quem tem saco de aturar isso, meus parabéns, mas eu não tenho. Se eles são pagos para ensinar, não acho que eu deveria estar fazendo todo o esforço.

    Na verdade, não sou má profissional. Faço meu trabalho decentemente. Só não gosto do que faço, e não quero ter que me lamentar durante 30 anos por isso.

    • Dora disse:

      Entendo.

      Acho que a sua realidade, não está muito distante da minha Maristela, só isso. Os problemas que você enfrenta na sua universidade, eu enfrento na minha e acredite: são idênticos. Eu sei sim do que você está falando. A UFSC também não é nenhum mar de rosas, caso você queira saber. Nem a UFSC, nem a UFRGS e nem nenhuma universidade/curso.

      Acho que a reclamação precisa existir mesmo. Porém, a dificuldade que temos em reclamar é que geralmente só nos conscientizamos mais da precariedade das coisas quando chegamos mais ao final do curso, onde achamos que já conhecemos bem boa parte dos atores. E aí até que essa reclamação se torne algo concreto, palpável e nítido para todos envolvidos, já estaremos nos formando e tudo ficará por isso mesmo: a grande esteira da cadeia de produção da qual fizemos parte já andou e outros novatos chegarão e enfrentarão tudo de novo, ano após ano..

      Assim como você, eu também tenho professoras ilustres, magnânimas e doutoras que passam bastante tempo falando dos filhos na sala de aula – principalmente quando se trata de bibliotecas escolares e de letramento e leitura para crianças. E ninguém – nem eu – tem saco pra isso e nem acha isso lá muito positivo na verdade. Alguns toleram, outros preferem jogar videogame no celular ou sei lá, as pessoas tem o seus meios pra burlar o que é insuportável. Não é o ideal, mas é o que tem pra hoje.

      Sempre tento tolerar até onde dá, mas eu já quase cheguei a reprovar na disciplina de Indexação por que a professora substituta era péssima e eu matei todas as aulas dela, deliberadamente. Isso por que eu sempre achei (acho ainda) Indexação uma disciplina fantástica, mas as aulas que tive eram simplesmente intragáveis, um martírio doloroso mesmo. A UFSC também tem problema com a contratação de professores, sempre tivemos poucos,.. Mas a situação parece estar melhorando agora, enfim.

      Achar que professor é pago apenas pra ensinar é um tipo de visão, mas talvez ela seja unilateral. Me parece que ser professor envolva também outras coisas como pesquisa e projetos de extensão, sem contar nas questões administrativas em que eles também podem estar envolvidos até certo nível. Mas é difícil se ligar deste outro lado por que só queremos um dos ‘produtos’ deles, que é o que recebemos em sala de aula..

      • Lídia Salek disse:

        Olá Dora
        Entrei no curso em 2008 e vou começar o último período. Não vou dizer que me “encontrei” porque não seria verdade. Gostaria de ter tentado biblio mais cedo. É minha primeira graduação e a opção foi pela paixão por ler (eu sei, sou fofa!), por livros; e claro, pela relação candidato/vaga. Hoje tenho 56 anos. Meu primeiro vestibular foi para arquitetura, que acabei abandonando por não conseguir compatibilizar com o trabalho – bancária – e o segundo para direito numa nova tentativa, mas também abandonei porque o nível da turma era baixíssimo e as aulas ficavam prejudicadas demais por isso.
        Depois de aposentada resolvi tentar o vestibular de novo e para meu espanto, passei! Digo que não me encontrei porque gosto muito de muita coisa de biblio. Hoje faço parte de um grupo de pesquisa, fui monitora, estou pensando seriamente em fazer o mestrado porque gosto de ensinar, sou fascinada pelo tema “cultura” mas não sei definir qual disciplina me atrai mais. Tive professores maravilhosos e horrorosos. Minha turma foi se dispersando pelos semestres mas conseguimos manter um pequeno núcleo que vem avançando em conjunto. No início, quando nos perguntaram o por que de nossa opção as respostas eram as mesmas que sua turma deu.
        Na minha opinião, isso nada mais é do que o espelho de nossa invisibilidade. Não aparecemos, não nos fazemos visíveis e isso vem de longe… Sempre frequentei bibliotecas, mas nunca tive contato com bibliotecários, só com atendentes. Sempre.
        Como é que alguém opta por uma profissão que guarda livros nas estantes e atende público no balcão? Porque para mim, era isso naquela época. A biblioteca se restringia a uma “sala de leitura” que eu explorava sozinha.
        Correndo o risco de ser taxada de herética, acredito que os profissionais mais importantes e necessários numa biblioteca são os de referência e os de ação cultural, desde que realmente atuem como tal. Já pensou que delícia ser recebido com um “boas vindas” de um bibliotecário numa biblioteca na qual você nunca entrou? Ou ver a comunidade procurar a biblioteca para tentar alguma mudança, resolver um problema, obter uma informação? Que sonho!!
        Meus professores (a maioria deles) passaram os últimos anos repetindo que a mudança depende de nós (ARGH!!!!). Depende deles também! Quantos participam dos ENANCIB’s e outros encontros e mostram seus trabalhos, seus artigos, suas pesquisas?
        Quantos os expõem nas suas faculdades, para seus alunos?
        Não concordo quando falam que o curso não prepara para o mercado de trabalho. Primeiro porque o ninguém sai da faculdade pronto para o mercado em nenhuma carreira, segundo porque o foco dos cursos de biblio atualmente é o econômico-gerencial, que privilegia só o mercado e não o viés sócio-cultural. Dê uma olhadinha nas grades curriculares que você vai comprovar isso. Aí nos tornamos parte da máquina, sumimos no emaranhado empresarial, prestamos serviços somente para atender a demanda e gerar lucro dessa ou daquela organização. Temos que criar a demanda e não esperar por ela. Só não me pergunte como, ainda. Tenho alguns anos para pensar sobre isso e bolar algo (rsrs).
        Adore seu blog! Parabéns!

  5. Camila Valerim disse:

    Dora, saiba que eu também considero metadados a parte mais fantástica da área da biblioteconomia! =D

  6. Estela Maris disse:

    Nossa Dora que massa, adorei!
    Me dá raiva do povo que tem “vergonha” do curso que faz!
    Antes de fazer biblio, eu fiz fisioterapia, e sinceramente, BIBLIO é muito mais complexo e exigente…e mil vezes mais agradavel tb!
    Abraços,
    Estela

  7. Dora
    Acompanho seu blog (já está nos meus RSS). Mas sabe pq?
    O jeito que vc escreve e cativante, apesar de muitas vezes os seus textos ser um pouco longo, eu sempre leio e gosto do que leio.
    Fico feliz em saber que vou ganhar uma colega de profissão que pensa assim e vai acrescentar muito a essa área tão encantadora e desafiadora!

  8. Pingback: Bibliotecas, conhecimento e novas tecnologias | Dora Ex Libris

  9. marymarcusso disse:

    Olá Dora,eu estou pensando em fazer biblioteconomia…que conselho vc me daria?
    Obrigada.

    • Dora disse:

      Olá Mary..

      Por que você está pensando em fazer esse curso?

      • marymarcusso disse:

        na verdade quero desistir do curso que faço,que é Pedagogia, pois n me identifiquei com o curso… :( andei pesquisando outras áreas e a Biblio foi uma que eu gostei,das matérias e do campo de trabalho.Seu blog está me ajudando a tirar todas as dúvidas possíveis :) mas não quero começar outro curso sem saber todas as informações necessárias pra não desistir novamente :\ to com medo…rs
        Obrigada por responder!

    • camila disse:

      Mary, coincidência nossa então. Também faço pedagogia, e estou pensando em fazer biblio, estou na mesma situação :(
      Achei o curso chato, e não gosto de me envolver no meio público, acho que sou mais na minha…
      Enfim, acho que biblio é mais interessante. Mas e vc, desistiu do curso, tá fazendo biblio? Fiquei curiosa, queria saber de alguém, e vc caiu como uma luva, estamos no mesmo barco…

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  12. Letícia disse:

    Quero fazer Biblio por gostar de ler e pelo ambiente de trabalho, calmo, tranquilo, por me dar melhor com livros do que com pessoas. Tu acha que é o curso certo para mim?

    • Dora disse:

      Oi Letícia! Acho que não seria uma boa opção, realmente. Na biblio destaca-se o que chamamos de serviço de referência, onde precisamos de contato direto com o usuário. Não trabalhamos apenas com material bibliográfico ou multimídia de acervo, mas hoje mais do que nunca com pessoas. No mercado de trabalho não podemos escolher que seremos bibliotecários de catalogação ou coisas do tipo: temos que passar por TODOS os processos e aprendermos tudo, o máximo que pudermos. Na biblio, querendo ou não, você terá sim que interagir – e muito – com pessoas.

      Abraços,
      Dora

  13. Débora Nascentes disse:

    Gostei muito deste artigo e o que me chamou atenção foi o título! Desde o primeiro período os professores fazem essa pergunta, ” Porque vc escollheu biblioteconomia?” Eu sempre digo que eu não escolhi Biblio, mas ela me escolheu! Essa profissão tem tudo haver comigo! E eu imaginava a mesma coisa que a colega Letícia, mas aos poucos descobri não só as oportunidades que este curso oferece, mas também que o bibliotecário pra se manter no mercado deve ser multitarefa e dinâmico além de poder atuar em outras áreas do conhecimento!

    E as duas coisas mais importantes que eu vejo para a continuidade da nossa profissão:
    Foco sempre no usuário e networking é essencial!

    Com isso já é metade do caminho rumo ao sucesso.

    Abraços.

  14. Pingback: Leituras fundamentais para um bibliotecário | Bibliotecários Sem Fronteiras

  15. Jaque disse:

    Amei demais o texto, e me identifiquei com muitas de suas palavras. Serve para abrir os olhos e até perspectivas pessoais de muitos de nós, estudantes e profissionais.
    Obrigada por compartilhar conosco o seu olhar, Dora.

  16. Thiago alri disse:

    Me formei ema rádio e tv e tbm em direito, mas não exerço nenhum, acho chato e fiz as escolhas erradas! Direito pra mim foi um martírio!!! Que curso ruim, Deus me livre! Fiz mais pra agradar a família e tbm pra ver se ganhava bem! Quebrei a cara e acho é pouco, mas vejo isso tudo com aquelas cicatrizes da vida, que vão nos ensinando com o amadurecimento! Cá estou eu com 32 anos e noivo, prestes a casar, e….. Graças a Deus, tem a empresa de minha mãe, a qual trabalho com ela! Mas ultimamente, venho fortemente pensando em cursar biblioteconomia, pq realmente me da aquele frescor, e sensação agradável em me imaginar ali, sou meio poético, organizado, gosto do manuseio com livros, sou curioso, e tbm curto história! Aqui na paraíba, tem o curso na ufpb! Andei conversando com uma menina q faz e ela está gostando e até tentando me passar uma certa realidade! Espero de coração acertar agora!! Até pq quando fiz rádio e tv, foi naquela imaturidade da primeira escolha, o direito foi no peso mesmo, n me sentia nem bem em ir assistir as aulas, e agora com biblioteconomia, é um s enfiamento diferente!! Obrigado pelos posts;)( desculpe algum erro, teclo do tablet e ele faz alto correções em que percebamos )

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