Como criar o hábito de leitura? Desde cedo: livros para bebês

Ano passado eu recebi a notícia de que viraria tia e imediatamente envelheci mil anos assim que soube. Não é novidade que não tenho jeito com crianças apesar de um maluco já ter me dito que eu seria “uma boa mãe”. Desconfio sériamente disso. Imagino que eu não seria uma boa mãe porque eu passaria a vida pesquisando o que é um bebê e o que é uma criança ao invés de de fato CRIAR uma. Ou seja, não daria muito certo e eu seria uma péssima mãe. E meio relapsa também. Mas pra tia distante até que pode rolar um papel bacana e posso usar meu sobrinho como laboratório mais tranquilamente..

Ele fará um ano em setembro agora e ele é a única criança neste mundo com a qual simpatizo – por enquanto, espero que isso dure. Não convivemos muito, infelizmente, pois moro em outra cidade. E acho que justamente pelo fato de eu não ter obrigações de mãe, sempre gostei de ficar com ele por perto, de segurá-lo no colo, quando estamos juntos e minha família se reúne. Nunca achei que teria essa audácia – de segurar no colo – com bebê nenhum. Tenho  medo de bebês, tão frágeis e eu sou tão desatenta e desastrada. Mas com o Joaquim (gosto de chamá-lo de “Quindim”) aprendi também a ficar com o braço firme e não ter tanto medo. Espero aprender outras coisas com ele ao longo dos anos.. :)

Não “converso” com meu sobrinho na linguagem “bababubu” porque simplesmente não gosto de me comunicar com bebês e crianças como se elas fossem imbecis, não importando a idade delas. Acho que é uma questão de respeito, mesmo. Acabei de ver aqui também que a UNICEF recomenda que se fale corretamente com crianças e bebês, aliás. Minha mãe e minha irmã me dizem que “sou muito séria” com ele. Talvez, mas esse é o meu jeitinho. Seguro ele no colo com um braço só, o encaixo na minha cintura e às vezes canto e ele parece gostar de mim quando estamos próximos. Ou talvez ele goste só da música que ele ouve vinda de mim. Sei lá o que se passa na cabeça de um bebê de quase um ano… :S

Ele fará aniversário e eu gostaria de presenteá-lo com um livro, que talvez fosse o seu primeiro, tendo em vista os parcos hábitos de leitura da minha família. Na verdade, penso em dar livros pra ele a vida inteira. Ele poderá ganhar presentes mais legais e roupas de outras pessoas. Videogames com certeza ganhará do pai, então nem me preocuparei. De mim, ganhará livros apenas.. Vai ser minha marca, meu legado: “tia Dora, a chata que só me dá livros”.  E sei que ele vai me achar uma chata por anos, pois eu mesma tive uma tia distante que me deu livros a vida inteira e eu a achava uma chata – até eu virar adulta e entender o que ela estava tentando fazer.

Como fiquei curiosa sobre “livros para bebês” agora a pouco, acabei fazendo uma busca rápida só pra ver se encontrava algo online e achei alguns links que me deram algumas pistas e dicas muito boas:

Nunca achei que fosse me pegar pesquisando livros pra bebê, mas a vida é assim né, uma coisa muito intrigante mesmo (me sinto uma idosa de 60 anos, rs).

Vou começar a ler pra ele quando tivermos mais tempo juntos.. Ler os livros que eu estiver lendo no momento mesmo, ou os livros que darei de presente. Vou competir (já levei pro lado pessoal, vejam só) com muitas coisas: TV, videogames, jogos de computador, internet, com os amiguinhos, com os pais, com a escola… Me versus the world praticamente. Tenho certeza absoluta de que todo o material que tenho lido sobre biblioterapia da prof. Clarice Fortkamp Caldin vai me ajudar horrores daqui algum tempo…

Infelizmente entendo também que, se depender de sua mãe, meu sobrinho crescerá cercado apenas de um único livro: a bíblia. Acho isso um tanto quanto nocivo  – pra dizer o mínimo – e sei que o que ele lerá na escola e no ensino médio também não vão ser conteúdos lá muito interessantes ou edificantes talvez, ou seja… Acho que eu tenho mais do que um papel de tia aí.

Eu poderia simplesmente escolher ignorar todas essas coisas e me isentar de qualquer responsabilidade com meu sobrinho… Afinal, não sou mãe dele, então não deveria ser responsável por sua educação, sua formação, etc. Mas eu não vou conseguir fazer isso: já faz parte de mim, de quem eu sou. E também sei que isso ainda pode me dar muita dor de cabeça, mas estou disposta a encarar.

É… Parece que terei um trabalho bem longo pela frente…

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Sobre Dora

Sonhadora. Curiosa. Bibliotecária.
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5 respostas para Como criar o hábito de leitura? Desde cedo: livros para bebês

  1. Paula disse:

    Tenho um filho de 8 anos, sempre tento incentiva-lo com a leitura. Fiz um “estágio” de mais de 3 anos em biblioteca escolar, fiz curso de contadora de histórias e já não consigo me ver atuando em outra área de biblio.
    Quando eu tinha uns 7 anos ganhei um livro bem bacana de uma amiga da minha mãe, era moderninho e todo de plástico e algumas partes eram transparentes e ai acabava completando a imagem da outra página. Li muitas e muitas vezes…
    Ganhei mais livros, mas esse me marcou muito e desde pequena frequentava a biblioteca pública e esses atos pequenos acabaram me formando como leitora.
    Sugiro que você dê esse livros de banho ou de pelúcia, tem um bem lindo que se chama “Adivinha o quanto eu te amo” é a história do pai e do filho coelhinho. Quando a criança ficar maior tem os livros do Todd Parr que são legais e bem coloridos. Mas um livro que as crianaças amavam quando eu contava a história é “O caso do bolinho”, é muito legal a história e tinha turminha que toda semana pedia para eu contar.
    Mas é bom ter alguém próximo assim para incentivar a leitura, mesmo contando muitas histórias para o meu filho, deixar ele frequentar bibliotecas, dar livros de presente e ler na frente dele só recentemente ele despertou para a leitura e é completamente apaixonado pelos gibis da Turma da Mônica que foi de presente do bisavô.
    E meu filho tá pedido, uma mãe quase bibliotecária e a tia uma meio bibliotecária já, vai ganhar muitos livros ainda iaushiauh
    Já escrevi muito!!
    beijos

  2. Carol König disse:

    Dora,

    Eu sei bem como é ser “a tia chata que só dá livros”. Tenho 2 sobrinhos, um de 11 anos e outro de 4 anos e não lembro de ter dado outro tipo de presente pra eles! E para o meu orgulho, os dois adoram!!! Hehehe!
    Já tive o prazer de ouvir da minha cunhada (mãe do meu sobrinho de 4 anos) que só eu dou esse tipo de presente e que preciso continuar fazendo isso! OK, opinião da mãe e não da criança, mas sei que eles também gostam dos livros. =)
    Também já me vi pesquisando os livros mais adequados para cada faixa etária e tals.
    Te dou todo o apoio nessa missão!
    Beijos!
    Carol.

  3. Viviane Jerônimo disse:

    Dora, simplesmente ótimo esse post! #RiMuito com as suas colocações e me identifiquei com a maioria delas, pois acabei de virar tia recentemente e o teu relato parece a minha perfeita descrição… Adorei! Principalmente as dicas dos livros, que também já me preocupa… mas decididamente vou fazer o papel da “tia chata que só dá livros”! Heheheh

  4. Dora disse:

    Mais um link interessante: Narrativa Oral e Desenvolvimento Cognitivo das Crianças (Tese de Doutorado), por Priscila Peixinho Florindo.

  5. Pingback: XII EREBD SE/CO, em Campo Grande/MS – 2011 | Dora Ex Libris

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