Como escrever melhor?

Sing for the teachers who told you that you couldn’t sing
Just sing… (The Dresden Dolls, Sing)

Na verdade o título deste texto não deveria ser “Como escrever melhor?” mas sim, “Como começar a escrever”. Escrever todo mundo escreve, assim como falar todo mundo fala. Mas o trabalho de escrita, raramente é reconhecido – apenas leitores de verdade reconhecem (pessoas que já leram muuuita coisa). “Qual é seu trabalho?”, “Sou escritor/a”, “E lá isso é trabalho?”. Não, não é. Escrever é muito fácil, simples e natural: todo mundo escreve. Ou melhor, hoje em dia, digita. Mas se escrever não é um trabalho e é mesmo tão fácil, simples e natural, então por que literalmente travamos quando nos deparamos com uma folha em branco e com o cursor ali piscando, esperando  pacientemente para que escrevamos de fato as primeiras palavras? E as reclamações que eu ouço são sempre as mesmas “não consigo escrever”, “não sei como começar, mas depois eu pego no tranco” e esse momento geralmente ocorre duas horas antes de você ter de entregar o trabalho ou ainda pior, uma semana antes da entrega do TCC.

É o já famoso “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

Penso num texto de dois modos: forma e conteúdo. Noto que quando leio sobre o ato de escrever, é mais frequente o assunto ser a forma (coerência, coesão, bom português e blábláblá) do que o conteúdo (o que é que você pensa?). Depois que eu li este texto sobre escrever foi que percebi isso… Achei criativo o modo que o autor foi engraçadinho ao falar sobre a forma: estabelecendo regras e quebrando-as ao mesmo tempo. Já não foi tão engraçado assim notar que, nos comentários, ninguém soube interpretar o texto direito: muitos não entenderam o sarcasmo do autor. Pois é… Ler (interpretar textos e compreendê-los), tanto quanto escrever, também dá trabalho.

Sei que é isso é difícil mas pra destravar mesmo, precisamos esquecer de todas as regras que aprendemos no Ensino Médio e falo tanto das regras de forma quanto de conteúdo. Na verdade o que aprendemos nessa época é bastante restrito pois como o objetivo dos professores não é ensinar nada – mas sim fazer com que algumas pessoas sejam aprovadas no vestibular – além de ficarmos adestrados com as regras, ficamos também com o conteúdo: para não desagradar possíveis avaliadores da redação de vestibular, não podemos ter a liberdade de escrever o que quisermos e os alunos acabam forçosamente tornando-se mais mediadores do que pessoas reais, com opiniões próprias sobre qualquer assunto.

Tudo bem se você não tem problemas com a forma, mas se você acha que não tem conteúdo nenhum (nenhum mesmo, nem os mais fúteis, absolutamente nada, zero, niente) recomendo duas coisas, uma cara outra possivelmente mais barata: 1. Análise (ou Terapia, como coisa que eu já deveria estar fazendo); 2. Férias em um Mosteiro Beneditino ou  no meio do mato por alguns dias, só com papel e caneta e  sem tecnologia nenhuma (uma bússola, talvez, só pra não ser muito cruel). Talvez ter uma experiência como você nunca teve antes na vida ajude a você enxergar seu cotidiano e as coisas ao seu redor de um outro modo. Mas eu sou suspeita pra dizer isso.. Qualquer experiência que eu tenha – por mais cotidiana que seja – já é um bom motivo pra que eu escreva.

Escrever é escolher as palavras certas e pra isso não adianta: você precisa de vocabulário e pra ter vocabulário não tem jeito, você vai precisar ler alguma coisa antes. O desafio que eu sempre enfrento quando vou escrever é: 1. Escrever como se eu estivesse falando, não acho muito bom, mas é o que acontece; 2. Escrever texto acadêmico – o que é bastante trabalhoso, mas é um trabalho que me agrada. Uma coisa que é importante também e eu tenho tentado fazer é saber “escoar” as idéias: textos que vão pro blog (para cada blog, seu texto, etc.), textos que são de pesquisa, textos pessoais que vão pro moleskine, textos que servem pra me lembrar das coisas  que vão pra minha agenda e assim vai.

Sobre o conteúdo, não queira escrever bonito, apenas converse: diga pra quem está lendo o que se passa pela sua cabeça, o que você acha. Não tenha medo de “achar” as coisas, ache o que (e o quanto) quiser. Escreva um pouco todos os dias: seja num blog, num moleskine, no que for, mas escreva sempre, pois sem prática tudo fica um pouco mais complicado. Importante: é ilusão acreditar que a boa escrita irá surgir milagrosamente na primeira vez que você escrever. Como eu já falei: escrever é um trabalho. Escrever é cortar palavras e às vezes até mesmo parágrafos inteiros por que você notou que não estavam bons. Escrever é ler, reler, ler novamente, ler mais uma vez, ler de novo e ler quantas vezes for possível. É fazer as modificações necessárias  repetidamente até se dar por satisfeito.

 

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Sobre Dora

Sonhadora. Curiosa. Bibliotecária.
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