Oficina de Introdução à História da Arte – 1º/02/11 [1 de 4]

Lembro que dia primeiro choveu e eu cheguei mais cedo no centro. Fiquei com medo de não saber onde ficava o Museu Victor Meirelles, mas não tinha muito erro – ano passado eu tinha trabalhado a 200m dali. Não foi difícil achar o lugar. A oficina de História da Arte começou às 19h e acho que o auditório do museu estava com quase 50 pessoas, que foi o número limite de inscrições. Dentre essas pessoas, uma biblio-amiga conhecida, a Paula, que está trabalhando no MIS, se não me engano.

Tudo o que vou escrever aqui é uma pequena parte do que vi no curso, misturada com opiniões e visões minhas. Particularmente, eu acho que participar do curso para ver o material disponibilizado na íntegra, esclarecer dúvidas e compartilhar o que se sabe com as outras pessoas uma experiência bem mais completa e interessante.

A ministrante, prof. Luciane Garcez, iniciou o curso fazendo rapidamente uma diferenciação da leitura da obra e da obra em si. Peguei uma frase no ar e anotei rapidamente “Contexto e biografia da obra – tais como data, momento histórico e outras variáveis sobre como a obra foi concebida – são importantes para o expectador, mas não para a obra”. Acho que se a gente for pensar nisso com um pouco mais de tempo, torna-se filosofia da arte e a discussão já envereda pra outros lugares.. Mas não era esse o propósito do curso. O que foi proposto foi um recorte histórico da arte ocidental européia.

Gravura no "Poço", Lascaux, França

Os primeiros registros conhecidos são os de Arte Primitiva (17 a 35 mil a. C.) e os exemplos utilizados foram a Vênus de Willendorf e O Homem do Poço de Lascaux, no sul da França. Achei interessante esta parte do poço de Lascaux pois diz-se que o homem está desenhado na parte de mais difícil acesso da caverna, mas é o desenho que mais demonstra o embate entre animalidade versus humanidade. Quem desenhou talvez o tenha feito escondido; também pode ter feito como medida, pra exemplificar o tamanho do bisão em relação ao homem. Luciane diz que estas pinturas mais primitivas configuravam o que talvez fosse uma noção de mortalidade do homem primitivo (função de perda) e então ele pintava para registrar o que via.

Shedu assírio, século 8 a.C., Louvre, França

Logo depois de falarmos sobre arte primitiva, demos um salto de 5 mil anos, para a Arte Mesopotâmica (5.000 a. C), que foi desenvolvida pelos Assírios, Sumérios e Babilônicos, consistindo de esculturas de tótens onde a animalidade era mantida e tudo o que era feito tinha uma função mágica e ritualística muito importante para a época. Templos foram construídos e Estelas (pedras onde eram esculpidas – em baixo relevo – histórias de guerras, de hábitos)  também foram criadas.  Um outro exemplo que só me lembrei mais tarde, é o da Torre de Babel, que ficou famosa quando teve sua lenda relatada na Bíblia, se tornando um dos zigurates mais famosos da arquitetura mesopotâmica.

Máscara Mortuária do faraó Tutankhamon

É difícil encontrar até hoje algum professor seja de história, artes ou ambos, que não seja apaixonado por tudo o que foi produzido pelo  Egito Antigo (2.700 a. C). Luciane diz que a arte desta época tem uma força cultural muito característica e resistente, que manteve-se por muito tempo. Independente dos incidentes históricos, os egípicos foram os que melhor preservaram sua cultura (e isso parece que ocorre até hoje). Aprendemos que a arte egípcia sempre fala do outro mundo, do além vida, e a arte funerária é muito importante. Na arquitetura os exemplos mais conhecidos: esfinges, múmias de faraós e as famosas Pirâmides do Egito, que até hoje ninguém sabe direito como foram construídas.

Vitória ou Nice de Samotrácia, Louvre, França

Os gregos são considerados racionais, inquietos, pesquisadores.. Antigamente a Grécia era  constituida de pequenos estados independentes que brigavam muito entre si. E todos os costumes e a personalidade deste povo refletia no que é a Arte Grega (VII a I a. C. ). Como os egípcios, eles também eram politeístas, mas diferente deles eram mais bélicos, muito políticos e tinham uma vida pública muito rica (apesar de as mulheres nunca terem tido voz ativa).  Apesar de existirem diferentes tipos de obras deixadas pelos gregos em Cerâmicas (onde se refletiam histórias, rotinas do dia-a-dia, batalhas) e Afrescos (pinturas feitas na parede, com os mesmos motivos), eles foram mais reconhecidos pelas esculturas (Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia, que estão no Louvre) e arquiteturas (Parthenon, como o templo mais conhecido).

Coliseu (80 d. C.), Roma, Itália

Durante a aula, sempre nos era lembrado que os assuntos não foram escolhidos cronológicamente, mas sim, que muitas vezes, ao mesmo tempo em que acontecia um crescimento no Egito, Roma e Grécia também se desenvolviam. Tudo o que era produzido artisticamente dependia diretamente (muito mais intimamente do que hoje) da cultura, da religião e dos modos de viver do povo em questão. A Arte Romana (Séc. I a IV d. C.) foi muito influenciada pelos gregos, apesar de ser uma arte mais comedida, uma vez que os romanos eram ainda mais racionais. Me parece que Roma era considerada cosmopolita na época justamente por se apropriar das culturas dos povos que iam sendo dominados pelo império.. Isso parece ser um padrão de lugares denominados cosmopolitas. Além do exemplo do Coliseu, quando foi mencionado sobre os sistemas hidráulicos e de escoamento de água das Casas de Banho, lembrei-me de um livro que parei de ler na metade, “Criatividade e Grupos Criativos” do Domenico di Masi. Fiquei com saudades do livro na hora.

No I Século da Era Cristã, o cristianismo ainda era muito perseguido e na Europa o domínio religioso ainda era politeísta-pagão. Na retratística, os primeiros registros são os Retratos de El Fayum, que são retratos de múmias, devem ter sido produzidos quando da invasão do Egito por Roma. Referente à Idade Média (Séc. V a XV), nos foi recomendado um livro de Georges Duby, especialista em Idade Média, “O Tempo das Catedrais: a Arte e a Sociedade”.

Constantino, MAM, New York

Constantino converteu-se ao cristianismo e criou o Império Bizantino, que seria Constantinopla (existem tantos nomes diferentes pra designar a mesma coisa em história que eu não lembrava o quanto isso me deixava confusa..). Mas parece que é isso mesmo: na alta Idade Média, Constantinopla era cristã, pois tinha sido invadida; e na baixa Idade Média, os muçulmanos já retomaram o espaço, onde seria furutamente Istambul. Nesta parte da pré-Idade Média, o que a professora chamou de “Arte Paleocristã” foi dividida em duas fases: 1) Fase Catacumbal (forte simbologia, afrescos escondidos, pois os cristãos ainda eram perseguidos); 2) Fase Basilical (arquitetura, construções de grandes basílicas, domínio cristão concretizado).

Madonna Bizantina

Também em Constantinopla, mais ou menos no mesmo período desenvolveu-se a Arte Bizantina (Séc. IV ao XV), considerada uma arte doutrinária cristã, arte da Luz (muito ouro). Todo o estatuário grego, com sombras e alto relevo desaparece. Além dos Mosaicos Bizantinos, tudo o que é feito em escultura é de baixo relevo. A arte passa a seguir rotas comerciais e autoria das obras deixa de ter relevância. O Cristo Pantocrátor é o exemplo mais conhecido, mas nessa época também criaram-se os Ícones, que eram pequenas imagens portáteis, geralmente retratadas em placas de ouro ou prata, que eram uma representação do divino. Por volta de 900 d. C., com a população euroéia parcialmente dizimada por conta de guerras e pestes, tanto ícones quanto relicários tornaram-se populares, como pequenas esculturas do divino.

Quando a Idade Média já estava melhor consolidada, iniciou o período da Arte Romântica (1000 a 1100 d. C., X e XIII), que também fez parte do Período das Trevas. Foi aí que aconteceu – mais ou menos – a criação dos idiomas tal como os conhecemos hoje.  Ainda assim a Europa era organizada a partir de comunidades esparsas. As artes, como um todo, conservaram-se e concentraram-se nos mosteiros. Apesar de a Europa estar enfraquecida como um todo, o que a fortalecia a partir de então foi a força da hegemonia cristã. Ao falarmos de Idade Média, não consegui deixar de lembrar do livro e do filme “O Nome da Rosa”, do Umberto Eco, e do capítulo/cena onde havia um portal onde tinha a representação do Inferno. Foi nesta mesma época também que as Iluminuras (ou os “livros iluminados”), os primeiros livros começaram a ser feitos por monges (antes escribas manufaturavam pergaminhos, mas isso não chegava a configurar um livro).

A aula terminou com os Cavaleiros Templários, os Soldados de Deus, que participaram das Cruzadas (não se sabe ao certo se 8 ou 10 cruzadas), por volta de 1096. As Cruzadas foram movimentos de exércitos cristãos para a tomada de Jerusalém dos muçulmanos. A partir daí existiram trocas comerciais e culturais que influenciaram diretamente na arte gótica que é tão evidente na alta Idade Média.

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