Pesquisa Bibliográfica na Web of Science

Durante a graduação foram poucas as vezes que ouvi falar sobre bases de dados internacionais. Só tive um entendimento um pouco melhor sobre como elas funcionavam porque fiz iniciação científica e tive que utilizá-las na prática. Ano passado também utilizei bases de dados quando fiz um trabalho de pesquisa bibliográfica (e mapeamento de periódicos) para um mestrando da pós-graduação em educação científica e tecnológica. Ele buscava artigos sobre um tema um tanto quanto específico: “erros no ensino de física no ensino médio”. Foi uma pesquisa bastante difícil, baseada principalmente em material similar “erros no ensino de química/matemática” e de temas relacionados. Finalizar esse trabalho foi uma grande aprendizagem pra mim.

O treinamento do EdnoteWeb que nos foi passado pela instrutora Deborah Dias, da Thomson Reuters, também pode ser feito pela Internet. Ela falou um pouco sobre como utilizar as bases de dados para fazer pesquisas, organizando também análises bibliométricas (infométricas), bibliográficas e até mesmo disseminação seletiva da informação (DSI). Pela plataforma ISI Web of Knowledge é possível acessar várias bases de dados ao mesmo tempo, tendo mais acesso às referências bibliográficas. O cadastro na Web of Science é gratuito com acesso remoto por 6 meses, utilizável em qualquer computador. Pelo que vi no site, a Web of Science (WS) é um produto de referência que está inserido na ISI WK. A questão do Acesso Livre e da recuperação do periódico/artigo depende diretamente dos periódicos selecionados pela CAPES. Às vezes é possível recuperar apenas a referência e não o artigo na íntegra.

Referente ao pagamento de artigos, é preciso levar em consideração algumas alternativas. Bibliotecas universitárias utilizam o COMUT, que pode recuperar o artigo em papel ou .pdf. Caso o COMUT não recupere o artigo, há também a opção de escrever para o autor, assim que achar sua referência de e-mail. A opção de pagamento pelo artigo deve ser deixada por último, em todos os casos. As grandes editoras de publicações acadêmicas tem a comunicação científica como algo rentável, quando o interesse dos autores hoje é que seu fator de impacto (índice H) aumente não só para que seu trabalho tenha mais visibilidade internacionalmente, mas também para que seu centro ou grupo de pesquisa continue recebendo mais privilégios e financiamento.

Sobre o modo de fazer pesquisa, a instrutora tem um método parecido com o que eu tenho. É possível partir de uma busca refinadíssima, encontrando poucos resultados, pra depois expandir a pesquisa,com auxílio de combinações e variáveis de operadores booleanos. O ideal é a partir daí recuperar uma quantidade razoável de material e ir refinando depois, com variações de termos e expressões, usando sinônimos, etc. que seria a parte “manual” da pesquisa. No entanto a base de dados da WS tem uma propriedade que eu ainda não tinha ouvido falar: Lemmatization, que é o processo de agrupar as diferentes formas flexionadas de uma palavra para que elas possam ser analisados ​​como um único item. Ao clicar nessa opção, a busca não levará em consideração as variações linguísticas, expande a recuperação de documentos. Pode acontecer de se recuperar muito lixo, mas é um bom risco a se correr quando a recuperação é insuficiente.

Ao ser perguntada sobre a quantidade de periódicos nacionais indexados na base, Deborah falou que existem mais de 100 revistas brasileiras na Web of Science. No entanto ela também falou sobre a importância de se aprender a língua inglesa e que até periódicos nacionais tem publicado apenas em inglês, pois assim teriam mais visibilidade internacional. É difícil encontrar periódicos nacionais que aceitem traduções de artigos, mas isso também me fez ter outro questionamento: por que não é do interesse dos periódicos/editoras produzirem edições bilíngues ou até multilingues (talvez) do conteúdo que disponibilizam?

Em relação aos campos de busca, pela palestra conseguimos entneder até onde a pesquisa pode atingir certo nível de detalhamento, com campo de busca para Grupos de Pesquisa (Group Author), para Afiliações (Address, projetos em conjunto, independentes de grupos de pesquisa e realizados por diferentes instituições) e também para Agências de Fomento (Funding Agency) o que pode ser interessante no sentido de fornecer dados sobre publicações para agências de fomento (que provavelmente implicará em mais investimentos em determinados setores, etc). Do mesmo modo, é possível realizar a mesma pesquisa no sentido inverso, por exemplo, analisando dados sobre a produção científica de cada país, observando assim quais áreas estão sendo mais direcionadas, fomentadas. No caso, esta seria uma questão de interesse político. A informação está ali, mas o uso que se faz dela podem ser muito variados.

Quando se realiza uma busca na WS, percebemos que automaticamente aparecem categorizações no canto esquerdo da tela, referentes às grandes áreas o “Web of Science Categories”. Resta saber se  conteúdo de periódicos e artigos faz jus à sua categorização ou não, como isso é definido, quais são os critérios, mas esta é mais uma curiosidade minha mesmo. Como é possível também fazer busca pela instituição, Deborah pesquisou e recuperou algumas instituição com sinonímia como por exemplo: USP, Universidade de São Paulo ou Universidade Estadual de São Paulo, ou University of São Paulo, etc. Logo, os dados não foram tão precisos quanto talvez devessem ser. Fiquei inquieta e perguntei a ela onde esses dados eram extraídos e ela me falou que é dos próprios documentos submetidos para a publicação e que esta é uma questão institucional que deveria ser analisada com mais cuidado.

Esta questão de padronização e normalização de metadados para periódicos científicos foi estudada minuciosamente pela prof. Gleisy Fachin na UFSC. Em sua tese, ela busca por uma ontologia para periódicos científicos, adaptando-a para uma normalização que seja o mais interoperável possível. Fui auxiliar de pesquisa desta professora fazendo traduções e pesquisa de alguns dados. Esta é uma questão bastante delicada, pois envolve instituições de pesquisa, departamentos e principalmente: gente. É difícil estabelecer uma política de informação para normalização de periódicos científicos quando existem muitos interesses conflitantes. Deborah ainda disse que o bibliotecário precisa ter criatividade e um pouquinho de abstração (o tal do feeling, uma certa sensibilidade) para saber diferenciar as variações linguísticas e assim conseguir dados mais próximos do que seria o exato.

About these ads

Sobre Dora

Sonhadora. Curiosa. Bibliotecária.
Esse post foi publicado em Eventos, Pesquisa e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Pesquisa Bibliográfica na Web of Science

  1. Pingback: Palestras EREBD SE/CO, Campo Grande, Novembro, 2011 | Dora Ex Libris

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s