Index-a-Dora

Criei esse blog em 2008, pra escrever sobre minhas desventuras no curso de biblioteconomia. Escrevi bastante até, mas este semestre chegou ao fim e parece que finalmente terminei o curso. Não vou dizer que “passou rápido” porque isso é mentira. Também mudei bastante, aconteceram várias coisas um tanto quanto inesperadas no percurso, por assim dizer. Mas foi divertido enquanto durou. Minha formatura será dia 29 de fevereiro do ano que vem. Maravilha, assim só vou me lembrar que sou formada em biblioteconomia de 4 em 4 anos, rs.

Esse blog também foi bastante divertido enquanto durou. Apesar de não ter me dedicado tanto ao blog quanto gostaria, acho que criei algumas coisas bacanas sim e que outras pessoas também gostaram. E também criei coisas que não gostaram, mas a vida é assim mesmo. E todas as coisas acabam, ou seja, mudam né, para bem ou para mal. Tudo tem seu fim e esse blog também terá o seu. Os posts continuarão por aqui, não vou apagar nada por mais que eu os leia daqui uns anos e ache totalmente constrangedor. Todas as vezes que apaguei minhas memórias acabei me arrependendo certo tempo depois.

Por questões de saúde, devo me afastar de qualquer tela ou monitor por umas 2 semanas. Ou seja, até o ano que vem (haha, quero ver eu aguentar). Estando offline devo escrever alguns posts em papel mesmo, elaborar melhor alguns projetos (de posts, de artigos, de traduções) para o ano que vem e ler as coisas que tenho pra ler, entre otras cositas más. A partir do ano que vem, escreverei no Index-a-Dora e pretendo não só me dedicar melhor a este blog, mas me dedicar melhor ao networking em blogs de biblio e blogs relacionados (coisa que jamais fiz por aqui).

Reconheço que existiram uma série de coisas que foram mal aproveitadas mesmo no Dora Ex Libris, mas ano que vem faço diferente. Por enquanto não tem nada no novo blog, mas toda mudança é assim mesmo, acontece aos poucos. Claro que vou continuar tratando de biblioteconomia, mas pretendo ampliar o escopo e tratar sobre qualquer coisa que envolva informação, linguagem, cultura e quaisquer outros assuntos que também sejam do meu interesse (livros, filmes, eventos, apresentações, etc).
E desta vez o latim está correto.

Até breve and thanks for all the fish.

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Elaboração de Políticas de Informação: princípios fundamentais

Este é o último post da pequena série de palestras que vi no EREBD SE/CO de Campo Grande este ano. Embora eu tenha gostado muito da palestra da prof. Patrícia Zeni Marchiori da UFPR com certeza acho que todo o conteúdo poderia ter sido ministrado em umas 4 ou 5 aulas, pois foi muita coisa mesmo. E acho que essa tb foi uma das palestras em que mais teve participação de estudantes do encontro.

Achei interessante a desambiguação da palavra “política”, que pode ser compreendida também como ideologia, representação ou partido, bem como ação-processos. A professora Patrícia deixa claro que política de informação não é o mesmo que um guia de procedimentos e está mais para uma “carta de intenções” (declaração de princípios e normas). Esta carta deve indicar objetivos, visão, direcionamentos, valores, e normas de organização a serem seguidos por um governo, uma instituição, uma corporação ou outra entidade como um grupo social, um clube ou mesmo um professor em sua prática.

Políticas de informação, onde quer que sejam implementadas servem para diminuir a ambiguidade, a ineficiência e o caos. Patrícia tratou não só sobre a importância da política, mas também da importância da falta de política: “Se a política não regula, ou seja, se não há política, o mercado regula. A tendência é ele se auto-regular por competitividade”. O grande desafio das organizações é fazer então com que a sua política de informação torne-se menos subjetiva, pois normalmente elas não estão explícitas.

É comum ouvirmos mais algo como “mas sempre foi feito assim” ou seja algo que é aparentemente de comum acordo, do que uma política mais específica e que tenha sido efetivamente elaborada em comum acordo. Ao longo da palestra Patrícia também tratou de temas relacionados como políticas públicas, direito autoral e sociedade civil organizada. Percebi que para entender melhor sobre políticas de informação, se faz necessário vários outros estudos em disciplinas complementares da área de humanidades tais como direito, ciência política, relações públicas, filosofia e também jornalismo.

Entre os temas de política de informação que envolvem mais a área de biblioteconomia e ciência da informação estão:

- Acesso, censura, filtros, controle de conteúdos;
- Posse, pirataria, propriedade intelectual;
- Privacidade, confidencialidade;
- Exatidão, confiabilidade, pertinencia;
- Democracia, transparência;

Tinha feito outras anotações sobre esta palestra, mas como já faz cerca de um mês que isso rolou, agora elas não estão mais tão frescas na memória infelizmente. De qualquer modo este é um assunto que me interessa e devo buscar por outras releituras disso em algum momento. Foi nesta palestra também que descobri o Prezi, que é uma ferramenta bacana, mas que ainda não tive muito tempo pra aprender a mexer direito.

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Fim de semestre

Precisamente isto:

.

Mission Accomplished.

But is this real life?

(And does it matter?)

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Como lidar?

Vez e outra aparecem coisas engraçadas no tumblr do fuckyeahdementia e hoje essa foi a coisa engraçada do dia. Basicamente este é um “Aviso de Masturbação” (AHAHAHA) provavelmente colocado nas portas dos banheiros das bibliotecas e dos dorms na St. Andrews University. Já começa mal pelo título que é constrangedor, mas não no sentido de deixar ninguém envergonhado.. É que a parada é tão, mas tão formal, que chega a ser engraçada e só mesmo. O restante da mensagem diz:

“Masturbação no banheiro da biblioteca é uma violação do regulamento da biblioteca da Universidade de St. Andrews

O assoalho do banheiro recentemente remodelado não foi projetado para lidar com o seu sêmen!

A quantidade excessiva de manchas de sêmen no banheiro custa milhares de libras para ser removido profissionalmente e deve refletir no aumento das mensalidades ano que vem. É o seu dinheiro.

Por favor vá pra casa e se masturbe se você está entediado

A pergunta que não quer calar: como lidar com seu sêmen? LOL

Sério que eles tem uma parte no regulamento que efetivamente diz que é proibido se masturbar no banheiro da biblioteca? Que incrível, são 600 anos de masturbação na biblioteca… O assoalho do banheiro não aguenta mais. É tanto tempo que até já entrou como proibição no regulamento! E por algum acaso existe algum chão de banheiro que seja especialmente projetado para lidar com sêmen? Como assim, rs? É quase impossível não rir desse aviso.

Eu ri muito alto dessa nota. A começar pelo título já imagino que a bibliotecária seja uma senhora inglesa bem austera de uns 381 anos de idade, cheia de não-me-toques. Não consigo me convencer muito bem de que esse aviso vai surtir algum efeito lá muito prático, mesmo que esteja claramente ameaçando os alunos ao dizer que o custo da limpeza acarretaria num possível aumento de mensalidade. Achei esse argumento fraco.

A biblioteca – qualquer biblioteca – é um ambiente fetichizado por natureza. Quando se pensa em biblioteca, se pensa mais em bibliotecária do que em bibliotecário, já começa pela questão de gênero no imaginário das pessoas. Muita gente tem a fantasia de fazer sexo na biblioteca. Bibliófilos e pesquisadores no geral são meio maníacos. Fico imaginando essas pessoas que simplesmente não conseguem conter a excitação tremenda que é estar na biblioteca, aquele silêncio, aquele cheirinho delícia de mofo, aquelas bibliotecárias te dando toda a atenção que você precisa…

Nossa, que tesão. Só que não.

É só um lugar como qualquer outro. Mas será que esse é um lugar convenientemente escolhido para a prática onanista ou será que isso acontece meio que sempre ao acaso?

Fica a dúvida.

É claro que ninguém vai chegar ao cúmulo de instalar câmeras no banheiro mesmo porque acho que isso não é permitido em nenhum lugar do mundo, as pessoas tem direito à privacidade no banheiro, acho. E em um banheiro não é exatamente o mesmo que em público, mas enfim.. Levando em conta que o banheiro é usado por outras pessoas, esse tipo de comportamento pode ser considerado um tanto quanto inadequado. Digo isso não por moralismo nenhum, mas porque simplesmente acho ruim ter que usar um banheiro sujo e com cheiro ruim.

Observando este caso me surgiram algumas perguntas. Algumas talvez até ingênuas, com alguns rascunhos de respostas, mas vá lá:

  • Por que os caras ejaculam, tipo, no chão? Por que, cara, por que? Não entendo. Não percebem que mais gente vai usar o banheiro? Que alguém vai ter que limpar depois? Bottom line: que isso é simplesmente no-jen-to? Não tem um lencinho não? Ou quer só demarcar território mesmo?
  • Por que o chão do banheiro dessa biblioteca seria tão difícil (e tão caro) de limpar assim? Não seria mais honesto dizer que ejacular no chão é simplesmente falta de consideração com quem limpa o banheiro? Simples assim. Isso de “esperma ser removido profissionalmente” é CÁÔ. Por que não dizem logo então que não querem que se masturbem na biblioteca porque são moralistas e pronto?
  • O que será que a biblioteca no geral (ou a ida ao banheiro em específico) tem de tão incontrolavelmente excitante? E que tipo de pessoa vai ir pra casa se masturbar porque está entediado/a? Acho ninguém precisa estar com tédio pra isso: basta querer e pronto. As pessoas são bem sem critério pra isso, no geral.
  • [Update 10/12/11, 13h34] É impressão minha ou o piso é todo em carpete? Sério que tem carpete até no chão do banheiro? É por isso que é tão difícil de limpar, de certo. Meu, pelamor… Não é possível que eles não saibam o quanto isso junta de poeira e ácaros e como é fácil de manchar com qualquer coisa. Carpete em piso de biblioteca é uma verdadeira insanidade. Pronto, falei.

Não sei qual seria a solução mais sensata para esse caso, sinceramente. Proibir terminantemente a masturbação na biblioteca? Mas como? Seguindo as pessoas até o banheiro? Acho improvável. Colocar seguranças à paisana que abordem os pervertidos de plantão, pedindo para que eles parem de se masturbar? Acho que não né? Não sei, mas ainda acho que recomendar mais higiene e o uso de um lenço deveria bastar.

Mas e a vergonha da pessoa de ter de levar a caixinha de lenço pro banheiro da biblioteca? Deveria então a biblioteca fornecer caixinhas com lenços, pra ensinar as pessoas a serem menos porcas no banheiro? Era só o que faltava, ahaha… Mas né, fica a sugestão. Mas e o perigo então de a biblioteca virar um antro de masturbadores? Bem, em se tratando de biblioteca universitária meio que já é de uma forma ou de outra, mas enfim… Deixa pra lá, rs

Fico me perguntando se a estratégia dessa biblioteca – a de ameaçar com aumento da mensalidade – funcionou. O aviso pode até ter viralizado, mas não acredito que tenha funcionado. Talvez tenha ocorrido justamente o oposto: encorajou ainda mais gente a ir lá fazer isso, só pra ver se vai ser pego ou não, enfim…

Já ouvi em sala de aula casos similares, mas que a pessoa em questão não ia até o banheiro não… Ficava se masturbando no meio da biblioteca mesmo. Aí acho que já é mais fácil de se enquadrar bem em um atentado ao pudor então é mais fácil, por assim dizer, pedir pra essa pessoa ir embora do ambiente e/ou retirá-la mesmo. No caso dos banheiros, fica um pouquinho mais complicado…

E vocês o que acham?

Qual seria uma boa abordagem a ser utilizada com pervertidos na biblioteca? Chegar cutucando? Ou fingir que não tá vendo? Ameaçar? Ensinar?

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Herdando uma biblioteca

Hoje depois do almoço passei na BS-CED pra ficar de bobeira. Tinha uma hora pra perder lá. Fui direto pra seção de literatura ver se achava algum livro legal e peguei por acaso um que tinha o título “Herdando uma Biblioteca”. Gostei da capa, gostei da textura das folhas, li as orelhas e achei interessante então por que não? É um livro pequeno, acho que consigo ler em uns 3 dias, se fizer isso continuamente. Não posso mais retirar livros da biblioteca porque já entreguei a negativa na biblioteca central e ainda não fiz pedido como aluna regressa. Enfim.

Primeiro li uma matéria sobre o ensino superior no Brasil da Carta Capital e depois comecei a ler o livro que tinha pego. Me identifiquei muito com o livro, desde as primeiras páginas. Parece que são pequenas histórias e memórias de como um leitor se tornou leitor. Ou melhor, de como lutou contra uma série de empecilhos para se tornar leitor. É uma história bastante pessoal, mas não duvido que mais pessoas se identifiquem, como aconteceu comigo:

Em casa, havia a pressão moralista da ética do trabalho de meu padrasto – a leitura fora das minhas atividades escolares seria uma forma disfarçada de vadiagem, combatida com a fúria de quem ganhava com muito esforço o dinheiro para nossa sobrevivência. (p. 15)

O autor é de Peabiru no Paraná e diz que desde pequeno é leitor e visitava a biblioteca pública. Confesso que é difícil imaginar como acontece o processo de gosto pela leitura num período de ditadura militar no interior do Brasil.. Hoje a gente tem acesso a tantas coisas, que imaginar um período de escassez é muito complicado. Mas Miguel conta a sua história e diz que preferia a biblioteca pública à escola pois “nela não havia conteúdos predefinidos, nem o desejo de me moldar” (p. 17).

Dá até uma certa ponta de inveja da forma que Miguel se relaciona e se apropria da biblioteca, é bonito de se ler:

Ali eu estava em contato com grandes homens, fazia-me contemporâneo deles, vivendo uma outra vida, distante daquela que a família e a escola insistentemente me impunham. (…) Eu meio que me sentia dono de tudo. (p. 18)

Acho que é pra esse sentido de apropriação e é pra esse lugar que uma biblioteca deve levar as pessoas, mesmo.

Não me lembro de o autor ter citado algum bibliotecário que o auxiliasse a sentir assim. Acho que uma das poucas vezes que uma bibliotecária foi mencionada, era a de sua biblioteca escolar. E ela fazia tricô durante o expediente. A relação que o autor tem com os livros e com a literatura ficou evidente quando ele fala sobre o roubo de livros. Tive uma professora que me dizia não se importar com o roubo de livros, pois isso significava que o leitor tinha “pego amor” ao livro… E isso é bem verdade.

Esse livro tem uma frase que me conquistou a terminar de lê-lo: “Roubar livros que nos solicitam amorosamente é uma forma de herder à força uma biblioteca que nos foi negada” (p. 20). Eu bem que sempre achei que todo bibliófilo é meio cleptomaníaco, rs. Olhei o relógio e vi que já estava no meu horário. Uma hora passou voando. A leitura desse livro foi quase que como uma conversa. Parei a leitura na página 31. O próximo capítulo é o “Herdando uma Biblioteca III”.

Este é o segundo livro de literatura que leio este mês. Acho este um bom sinal.

SANCHES NETO, Miguel. Herdando uma biblioteca. Rio de Janeiro: Record, 2004. 140 p.

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Bibliocamp | Rio 10.12.11

Hoje eu sonhei que estava no Bibliocamp, que vai acontecer no Rio daqui três dias. Queria mesmo muito ir no evento mas já estou ferrada o suficiente tendo que modificar boa parte do meu TCC e também surgiu de última hora um trabalho numa biblioteca jurídica particular aqui em Floripa. Inveja de quem vai poder ir… Vou no próximo evento, ano que vem.

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Vontade de aprender…

“(…) sempre desconfio de que a vontade de aprender sirva para esconder dores que não querem ser ditas e que permanecerão seladas”. (p. 10)

CALLIGARIS, Contardo. A mulher de vermelho e branco: uma história de Carlo Antonini. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. 205 p.

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